Mercado de ações adota postura defensiva, dizem analistas
Mercado de ações adota postura defensiva

O mercado de ações brasileiro adotou uma postura defensiva nas últimas semanas, conforme destacam analistas ouvidos pelo Valor. A recomendação é de cautela, com foco em setores menos sensíveis ao ciclo econômico, como utilidades, saúde e consumo básico, em meio a um cenário de incertezas fiscais e eleitorais.

Ibovespa acumula queda de 5% no ano

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acumula uma queda de aproximadamente 5% no ano, refletindo a aversão ao risco dos investidores. Segundo dados da B3, o índice fechou o pregão de quarta-feira (5) aos 120 mil pontos, após um mês de julho marcado por volatilidade.

"O cenário é de cautela, com o mercado aguardando definições sobre o quadro fiscal e o calendário eleitoral. Os investidores estão priorizando empresas com balanços sólidos e geração de caixa consistente", afirma Carlos Oliveira, estrategista-chefe da XP Investimentos.

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Setores defensivos ganham preferência

Na avaliação dos analistas, setores como energia elétrica, saneamento e alimentos têm recebido maior fluxo de recursos, enquanto segmentos cíclicos, como varejo e construção, perdem espaço. "A preferência por ativos defensivos é uma tendência global, mas no Brasil ela se intensifica por causa das incertezas locais", explica Marina Santos, analista da gestora Rio Bravo.

A postura defensiva também se reflete na alocação dos fundos de investimento. Dados da Anbima mostram que, em julho, os fundos de ações registraram resgates líquidos de R$ 2 bilhões, enquanto os fundos multimercado tiveram captação positiva de R$ 1,5 bilhão.

Impacto na carteira recomendada

As corretoras têm ajustado suas carteiras recomendadas, aumentando o peso de papéis como Banco do Brasil, Itaú e empresas de saneamento, como Sabesp. "Estamos recomendando uma postura mais conservadora, com maior exposição a bancos e utilities, que tendem a sofrer menos em cenários de estresse", afirma Oliveira.

Por outro lado, ações de empresas mais ligadas ao consumo discricionário, como varejistas e companhias aéreas, estão sendo evitadas. "O consumidor brasileiro ainda está endividado e os juros altos pesam sobre o crédito. Isso torna esses setores mais arriscados", complementa Santos.

Perspectivas para o segundo semestre

Os analistas não descartam novas quedas no curto prazo, mas veem espaço para recuperação caso o cenário político se acalme. "Se houver sinais de compromisso fiscal e uma agenda reformista, o mercado pode voltar a subir. Mas, por enquanto, a postura defensiva é a mais adequada", conclui Oliveira.

O cenário externo também influencia, com a alta dos juros nos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa, que afetam o apetite por risco em mercados emergentes. "O investidor precisa estar atento às eleições e ao comportamento da inflação, que segue acima da meta", finaliza Santos.

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