Carros antigos viram classe de investimento no Brasil, explica especialista
Carros antigos viram classe de investimento no Brasil

Mário Augusto de Castro, especialista em veículos clássicos, explica que os carros antigos se consolidaram como uma nova classe de investimento no Brasil, com valorização média anual de 20% nos últimos cinco anos. Segundo ele, o mercado de automóveis históricos deixou de ser apenas um hobby para se tornar uma alternativa de diversificação patrimonial.

O que impulsiona a valorização

De acordo com Castro, a escassez de modelos originais e o interesse crescente de colecionadores e investidores têm elevado os preços. “Carros bem preservados ou restaurados com peças originais podem se valorizar acima da inflação e de outros ativos tradicionais”, afirma. Ele cita o Fusca 1976 como exemplo, que triplicou de valor em três anos.

O especialista destaca que a liquidez do mercado também aumentou, com plataformas online e leilões especializados facilitando a compra e venda. “Hoje é possível vender um carro antigo em até 30 dias, o que antes levava meses”, completa.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Perfil do investidor

Castro observa que o perfil do comprador mudou. “Antes predominavam entusiastas; agora, vemos investidores que buscam proteção contra a volatilidade da bolsa e dos juros baixos”, explica. Ele recomenda começar com modelos populares e de baixo custo de manutenção, como o Chevette e o Opala.

O mercado brasileiro ainda é incipiente comparado ao europeu, mas já movimenta cerca de R$ 500 milhões por ano, segundo estimativas do setor. “A tendência é de crescimento, especialmente com a entrada de jovens investidores”, projeta Castro.

Cuidados necessários

Apesar do potencial, o especialista alerta para riscos. “É essencial verificar a procedência do veículo, histórico de manutenção e originalidade. Carros com documentação irregular podem desvalorizar rapidamente”, ressalta. Ele sugere assessoria de especialistas e laudos técnicos antes da compra.

Além disso, os custos de armazenamento e seguro devem ser considerados. “Um carro guardado em local inadequado perde valor. O ideal é manter em garagem climatizada e com seguro específico para veículos de coleção”, orienta.

Perspectivas para o futuro

Castro acredita que o mercado brasileiro de carros antigos deve amadurecer nos próximos anos, com a criação de índices de preços e fundos de investimento especializados. “Já há conversas com gestoras para lançar um fundo de carros clássicos, nos moldes do que existe nos EUA e Europa”, revela.

Para ele, o principal atrativo é a baixa correlação com outros mercados. “Em momentos de crise, os carros antigos tendem a manter ou até aumentar o valor, funcionando como reserva de valor”, conclui.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar