Inflação da construção acelera no mundo, mas cai no Brasil, diz pesquisa
Inflação da construção acelera no mundo, mas cai no Brasil

Os custos da construção civil no mundo subiram 7,8% nos últimos doze meses, acelerando em relação ao período anterior, quando avançaram 6,9%. No Brasil, o movimento foi inverso: o índice de custos caiu 1,4% no mesmo intervalo, com a queda puxada pela desaceleração dos preços de materiais e pela menor atividade do setor. Os dados fazem parte de um levantamento global obtido com exclusividade pelo Valor.

Cenário global: pressão de mão de obra e commodities

De acordo com o estudo, a aceleração mundial é explicada principalmente pelo aumento dos custos de mão de obra e pela alta de commodities como aço e cimento. Nos Estados Unidos e na Europa, a escassez de trabalhadores qualificados elevou os salários, enquanto na Ásia a demanda por infraestrutura manteve os preços sob pressão.

O levantamento aponta que, entre os países desenvolvidos, o Reino Unido registrou o maior avanço, com alta de 10,2% no custo por metro quadrado, seguido por Alemanha (9,4%). Já nos mercados emergentes, a Índia e o Vietnã apresentaram incrementos de dois dígitos.

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O Brasil, por sua vez, destoa do movimento global. A pesquisa registrou queda de 1,4% no custo médio de construção no país, puxada pela redução dos preços do aço, do cimento e dos agregados. O câmbio também ajudou: a apreciação do real frente ao dólar barateou insumos importados, como elevadores e equipamentos elétricos.

Impactos para o setor e expectativas

Para o coordenador do levantamento, o resultado brasileiro deve ser encarado com cautela. "A queda do custo é positiva, mas reflete também um mercado mais fraco, com menos lançamentos e vendas", diz o especialista. "Quando a demanda se recuperar, tende a haver pressão de custos novamente."

No mercado internacional, a expectativa é de continuidade da tendência de alta, especialmente em razão dos investimentos em transição energética e reindustrialização. "O mundo vive um ciclo de investimentos pesados, que deve manter os custos elevados nos próximos anos", afirma o relatório.

Fatores específicos e leitura regional

Entre os fatores que explicam a queda no Brasil, o levantamento cita a ociosidade da indústria de materiais e a competição entre as construtoras, que passaram a absorver parte dos aumentos para manter margens. A queda dos preços dos imóveis residenciais em algumas regiões metropolitanas também contribuiu.

O centro-oeste brasileiro foi a região com maior redução de custos, enquanto o Nordeste apresentou variação negativa menor. No eixo Rio-São Paulo, a baixa foi mais contida, refletindo a maior presença de obras de infraestrutura.

Conclusão e recomendações

Os dados reforçam a importância do acompanhamento dos índices de custo para incorporadoras e investidores. Em meio à divergência entre o Brasil e o resto do mundo, a gestão de suprimentos e a negociação de contratos tornam-se ainda mais relevantes.

O estudo completa que, apesar da queda, a inflação da construção brasileira deve retornar a um patamar positivo em 2027, mas em nível inferior à média global.

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