TotalEnergies vende fatia em renováveis na Europa para KKR
TotalEnergies vende fatia em renováveis para KKR

A TotalEnergies anunciou nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, a venda de uma participação em seu portfólio de energias renováveis na Europa para a gestora de investimentos KKR. O negócio envolve ativos de energia eólica onshore e solar fotovoltaica em operação e em desenvolvimento, localizados principalmente na França, na Espanha e em Portugal.

Detalhes da transação

Segundo comunicado divulgado pela empresa, a operação faz parte da estratégia de rotação de portfólio da companhia, que busca reduzir sua dívida e abrir espaço para novos investimentos em projetos de maior valor agregado. A TotalEnergies manterá a operação e a gestão dos ativos, enquanto a KKR entra como sócia minoritária. O percentual vendido não foi revelado, tampouco o valor da transação, que deve ser anunciado após as aprovações regulatórias.

A expectativa é que o fechamento ocorra no quarto trimestre de 2026, sujeito à autorização das autoridades de concorrência da União Europeia. A operação será estruturada por meio de uma sociedade de propósito específico, controlada em conjunto pelas duas empresas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Contexto do setor

A venda de participações em ativos renováveis tem se tornado um instrumento recorrente entre as grandes petroleiras europeias, que enfrentam pressão para acelerar a transição energética sem comprometer o balanço financeiro. A TotalEnergies estabeleceu a meta de alcançar 100 GW de capacidade instalada de geração renovável até 2030, e parcerias como a com a KKR são vistas como fundamentais para viabilizar essa expansão.

Para a KKR, a aquisição representa uma aposta no mercado europeu de energia limpa, que vive um ciclo de investimentos impulsionado pelas metas climáticas do bloco. A gestora já possui participações em empresas de geração renovável no continente, em países como Reino Unido e Alemanha, e busca diversificar sua carteira no sul da Europa.

Reações do mercado

Analistas do setor elétrico avaliam que o negócio é positivo para a TotalEnergies, pois reduz o custo de capital e demonstra a capacidade da empresa de atrair investidores institucionais para seus projetos verdes. Em relatório, o banco UBS classificou a operação como “um passo construtivo” para a meta de desalavancagem. A ação da empresa fechou em alta leve na bolsa de Paris, refletindo o anúncio.

Especialistas, no entanto, ponderam que a ausência de números divulgados pode indicar uma transação de valor moderado, focada em testar a estrutura de parceria para futuras operações de maior escala.

Impacto financeiro

Os recursos obtidos com a venda serão destinados ao caixa da companhia para financiar projetos já em curso, incluindo parques eólicos offshore na costa europeia e sistemas de armazenamento de energia em baterias. A TotalEnergies reiterou que não pretende alterar sua política de dividendos com a operação.

No balanço mais recente, a empresa reportou dívida líquida de aproximadamente 40 bilhões de dólares. A redução desse indicador é uma das prioridades da atual administração, que já promoveu outros desinvestimentos em ativos não estratégicos nos últimos anos.

Próximos passos

Após o fechamento, a expectativa é que a TotalEnergies anuncie novas parcerias semelhantes em outros mercados, como Ásia e América do Norte. A empresa também estuda a criação de fundos dedicados a projetos de energia renovável com participação de investidores externos.

Procurada, a KKR não comentou o assunto. A TotalEnergies também não informou se a participação inclui ativos de hidrelétricas ou apenas eólica e solar, mas afirmou que o portfólio é majoritariamente composto por projetos em fase madura.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar