O processo, ao qual o ge teve acesso, tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Na ação, o ex-auxiliar Edson Boaro pede o reconhecimento da rescisão indireta do contrato com a Ponte Preta e cobra R$ 803.858,41 em verbas trabalhistas e contratuais. Boaro é representado pelos advogados Filipe Rino e Thiago Rino.
De acordo com a petição, o ex-lateral ficou 24 meses sem receber salários. Além disso, a ação aponta 50 meses sem depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por parte da Ponte, afirmando que a atual diretoria executiva nunca efetuou pagamentos do fundo durante o vínculo com o clube.
Dívidas e pedidos listados na ação
Os débitos apontados no processo compreendem o período entre 2022 e meados de 2026. A cobrança inclui:
- 24 meses de salários;
- 24 meses de direitos de imagem;
- 10 meses de auxílio-moradia;
- três 13º salários integrais;
- quatro férias integrais;
- férias e 13º proporcionais;
- aviso prévio;
- multas previstas na CLT;
- multa de 40% sobre o FGTS;
- honorários advocatícios.
A liminar solicitada busca justamente o reconhecimento da rescisão indireta, que ocorre quando o empregador comete falta grave e o empregado considera o contrato encerrado por culpa da empresa.
Retorno ao Moisés Lucarelli e passagem pela comissão técnica
Ídolo da torcida pontepretana, Boaro retornou ao Moisés Lucarelli em 2022, no primeiro ano da gestão de Marco Antonio Eberlin. Desde então, ele comandou o time sub-23 na Copa Paulista de 2023 e esteve à frente do sub-20 em três edições consecutivas da Copa São Paulo de Futebol Júnior, entre 2023 e 2025.
Em março de 2025, Boaro trocou de função com Nenê Santana e passou a integrar a comissão técnica do elenco profissional. Na equipe principal, trabalhou ao lado de Alberto Valentim, Marcelo Fernandes e Rodrigo Santana.
Ele ainda chegou a dirigir a Ponte de forma interina em dois jogos da Série B, em junho deste ano: no empate sem gols com o Botafogo-SP e na derrota por 2 a 1 para o Cuiabá. O ciclo no clube foi encerrado após a contratação de Márcio Zanardi.
Carreira como jogador e passagem pela Seleção
Boaro, também conhecido como "Abobrão" por utilizar meias da cor abóbora nos treinos de início de carreira, marcou época entre o fim da década de 1970 e o começo dos anos 90. Revelado pela Ponte Preta, onde se destacou e ficou até 1984, foi para o Corinthians ao lado do goleiro Carlos.
Pelo Timão, foram 226 jogos, oito gols e o título paulista de 1988, com direito a gol no empate por 1 a 1 no primeiro jogo da final contra o Guarani. Boaro também recebeu o prêmio "Bola de Prata" como o melhor lateral-direito do Brasileirão de 1984.
Na Seleção Brasileira, ele disputou a Copa do Mundo de 1986, no México. Titular absoluto para a competição, atuou o primeiro jogo inteiro contra a Espanha, mas se lesionou no início do segundo, diante da Argélia, e passou o restante do torneio em recuperação, abrindo espaço para Josimar na posição. Ao todo, defendeu a camisa amarelinha 19 vezes.
Depois do Corinthians, transferiu-se para o Palmeiras em 1989, onde ficou duas temporadas, com 94 partidas e sete gols. Ainda passou pelo Guarani em 1991 e por outros clubes menores antes de encerrar a carreira no Grêmio São-Carlense, em 1997, aos 38 anos.



