O governo russo anunciou que priorizará o fornecimento de combustível para veículos que abastecem grandes redes de supermercados, em meio a uma crise de abastecimento desencadeada por ataques de drones ucranianos contra a infraestrutura energética e refinarias de petróleo. A medida, revelada pelo vice-primeiro-ministro Alexander Novak em entrevista à Bloomberg Television, visa garantir o transporte de alimentos e evitar o desabastecimento nas prateleiras.
Ataques ucranianos afetam produção de combustível
Desde o início do ano, a Ucrânia intensificou ataques com drones contra refinarias russas, reduzindo a capacidade de processamento de petróleo do país. Segundo Novak, esses ataques danificaram diversas instalações, resultando em uma queda na produção de diesel e gasolina. A situação levou o governo a adotar medidas emergenciais para estabilizar o mercado interno.
“Estamos tomando todas as ações necessárias para garantir que os combustíveis cheguem aos setores essenciais, especialmente à logística de alimentos”, afirmou Novak. A priorização inclui caminhões que transportam produtos perecíveis e não perecíveis para redes varejistas.
Impacto na economia e no consumidor
Analistas apontam que a decisão pode conter a alta dos preços dos alimentos, mas não resolve a escassez geral de combustíveis. Postos de gasolina em várias regiões da Rússia relataram filas e racionamento, com alguns estabelecimentos limitando a venda a 20 litros por cliente. A priorização de supermercados busca evitar um colapso no abastecimento alimentar, similar ao observado em 2022, quando sanções ocidentais afetaram a logística.
“A cadeia de suprimentos alimentares é extremamente sensível a interrupções no transporte. Sem combustível, os alimentos não chegam às lojas, gerando pânico e inflação”, explicou um economista do Instituto de Estudos Energéticos de Moscou, que preferiu não ser identificado. O governo também negocia com refinarias para aumentar a produção e reduzir exportações, priorizando o mercado doméstico.
Resposta internacional e perspectivas
Enquanto a Rússia busca conter a crise, a Ucrânia continua os ataques estratégicos a alvos energéticos, visando reduzir a receita russa com exportações de petróleo e limitar a capacidade logística militar. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) monitora a situação, mas não há previsão de interrupção no fornecimento global.
Novak destacou que a Rússia está “totalmente preparada para superar os desafios” e que a priorização de combustível para supermercados é temporária. No entanto, especialistas alertam que, se os ataques continuarem, o país pode enfrentar uma escassez mais prolongada, afetando setores como agricultura e transporte público. A medida, embora necessária, evidencia a vulnerabilidade da infraestrutura russa diante de conflitos modernos.



