Após vendaval, 4 mil clientes da Light seguem sem energia no RJ
Light: 4 mil clientes seguem sem energia no RJ

Quatro dias depois do vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro na quarta-feira (30), cerca de 4 mil consumidores da Light seguiam sem energia elétrica na Região Metropolitana neste sábado (1º). A concessionária informou que já restabeleceu o fornecimento para aproximadamente 1,1 milhão de clientes afetados, mas a Zona Oeste da capital ainda concentra reclamações, fios rompidos e protestos de moradores.

O temporal de quarta-feira provocou um apagão em diferentes cidades do estado, derrubou árvores e deixou um rastro de destruição em bairros inteiros. Em muitas localidades, o fornecimento de água também foi comprometido porque as bombas dependem de eletricidade.

Bangu: protestos e fios rompidos

Em Bangu, moradores bloquearam ruas em protesto contra a demora no restabelecimento do serviço. Em alguns pontos do bairro, cabos de energia permanecem rompidos desde a quarta-feira, quando a ventania atingiu a cidade. A situação se repete em Campo Grande, onde fios caídos continuam no chão mais de 72 horas depois da tempestade e ainda há consumidores sem luz.

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Na Rua dos Açudes, em Bangu, a falta de energia torna o dia a dia ainda mais difícil para quem precisa de cuidados especiais. A aposentada Ivone Santana Pereira cuida da irmã, de 74 anos, que depende de uma cama hospitalar elétrica. “Sem ela fica difícil. Até para movimentar ela, para dar comida, porque tenho que colocá-la sentada. Fica difícil para dar banho, fica difícil para tudo”, disse.

Medicamentos perdidos

A interrupção prolongada também trouxe prejuízos a pessoas que necessitam de medicamentos refrigerados. A pensionista Marlene Franco, diabética, perdeu toda a insulina que estava na geladeira. “Perdi. Joguei fora porque estava quente. Uma amiga que trabalha na Clínica da Família conseguiu outra para mim”, contou. Ela lamentou o desperdício: “Eu não gostaria de jogar fora. Gostaria de usar porque a próxima que eu pegar vai fazer falta para outra pessoa”, afirmou.

A aposentada Alba Valéria Machado também teve prejuízos semelhantes. “Joguei fora insulina, colírio e alimentação. Frango, carne, estragou tudo”, relatou. O relato evidencia o impacto do apagão na rotina de famílias que dependem da rede elétrica para preservar itens essenciais.

Comércio local impactado

Os comerciantes da região também enfrentam perdas. A empresária Arlene Franco, dona de uma empresa de salgados na Rua dos Açudes, disse que perdeu quase todo o estoque e precisou devolver dinheiro aos clientes. “Foi um investimento de um mês para cá. A demanda aumentou muito. Comprei esse freezer, enchi de mercadoria. Quatro dias sem luz, não tem muito o que fazer”, afirmou.

Segundo ela, a situação chega a ser difícil de acreditar para quem não está no bairro. “Teve gente perguntando se podia buscar os produtos. As pessoas não acreditam que estamos há quatro dias sem luz”, descreveu.

Campo Grande também sofre

Em Campo Grande, outro bairro da Zona Oeste, o cenário se repete. Em diversas ruas, fios rompidos permanecem no chão mais de 72 horas após o temporal, e moradores continuam sem fornecimento de energia. A falta de luz atinge residências, comércios e serviços essenciais na região.

Defensoria aciona Light

Neste sábado (1º), a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informou que entrou com uma ação contra a Light por causa do apagão. O órgão solicitou informações sobre o plano de contingência da concessionária e o cronograma para normalização do serviço, mas considerou a resposta insatisfatória.

A Defensoria argumenta ainda que a interrupção no fornecimento compromete serviços essenciais, como o abastecimento de água, e pede que a Justiça determine a apresentação de um plano de ação, além do pagamento de indenização por danos morais coletivos.

O que diz a Light

A Light informou que já restabeleceu a energia para cerca de 1,1 milhão de clientes atingidos pelo vendaval e que trabalha para normalizar o serviço para aproximadamente 4 mil consumidores. Segundo a concessionária, durante a operação foram priorizados hospitais, clínicas, unidades de segurança pública e clientes com necessidades especiais ou que utilizam equipamentos de suporte à vida.

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A empresa afirmou ainda que o plano de contingência foi executado dentro do tempo previsto para um evento dessa magnitude e que os atendimentos estão na fase final para concluir as ocorrências remanescentes.