Mudança da CVM reforça papel da inteligência de dados no ESG
CVM e inteligência de dados no ESG

A nova instrução normativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está redefinindo o papel da inteligência de dados nas estratégias ESG (ambiental, social e governança) das empresas listadas no Brasil. A medida, que entra em vigor em 2026, exige relatórios mais detalhados e padronizados, forçando as companhias a investirem em tecnologia e análise de dados para atender às novas exigências.

O que muda com a nova regra da CVM

A instrução normativa da CVM estabelece que as empresas de capital aberto deverão divulgar informações ESG de forma mais estruturada, seguindo padrões internacionais como os do International Sustainability Standards Board (ISSB). A partir de 2026, os relatórios anuais deverão incluir indicadores quantitativos e qualitativos sobre impactos ambientais, sociais e de governança, com verificação independente.

Segundo a CVM, a medida visa aumentar a transparência e comparabilidade das informações, permitindo que investidores tomem decisões mais informadas. A autarquia estima que cerca de 400 empresas serão diretamente afetadas pela nova regra.

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Inteligência de dados como pilar estratégico

A coleta e análise de grandes volumes de dados tornam-se essenciais para cumprir as exigências. Empresas que já utilizam inteligência de dados para monitorar emissões de carbono, consumo de água, diversidade da força de trabalho e governança corporativa saem na frente. De acordo com a consultoria Beon, especialista em ESG, a demanda por soluções de data analytics cresceu 35% no último ano entre as empresas listadas.

“A inteligência de dados deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito básico de compliance”, afirma Carlos Silva, diretor de sustentabilidade da Beon. “As empresas que não investirem em tecnologia para gerenciar seus dados ESG correm o risco de não conseguir atender aos prazos e padrões exigidos pela CVM.”

Impactos na estratégia corporativa

A nova regra também pressiona as empresas a integrarem ESG ao core business. Relatórios mais detalhados expõem fragilidades e oportunidades, influenciando decisões de investimento, parcerias e posicionamento de marca. Estudo da McKinsey indica que empresas com alto desempenho ESG têm 25% menos custo de capital.

Além disso, a padronização dos relatórios facilita a comparação entre concorrentes, o que pode acelerar a adoção de melhores práticas. Setores como energia, mineração e agronegócio, que têm maior impacto ambiental, serão os mais afetados.

Desafios para as empresas

Implementar sistemas de coleta e verificação de dados ESG não é trivial. Muitas empresas ainda dependem de planilhas manuais e processos descentralizados. A falta de integração entre áreas e a ausência de profissionais qualificados são os principais gargalos, segundo pesquisa da Deloitte.

A CVM prevê um período de adaptação até 2026, mas recomenda que as empresas iniciem a estruturação dos processos o quanto antes. A autarquia também estuda a criação de um selo de qualidade para relatórios ESG verificados.

Oportunidades para o mercado de tecnologia

A mudança regulatória abre um mercado promissor para startups e empresas de tecnologia que oferecem soluções de inteligência de dados focadas em ESG. Plataformas de gestão de carbono, softwares de análise de supply chain e ferramentas de reporting automatizado estão entre as mais demandadas.

Para a Beon, a tendência é que a inteligência de dados se torne o centro das estratégias ESG, permitindo não apenas o cumprimento de regras, mas também a identificação de eficiências operacionais e redução de riscos. “Quem conseguir transformar dados em insights acionáveis terá vantagem competitiva duradoura”, conclui Silva.

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