A Volvo Car AB, montadora sueca controlada pela chinesa Geely, afirmou que espera uma recuperação no segundo semestre de 2026, após divulgar resultados do segundo trimestre que ficaram aquém das projeções do mercado. O lucro operacional da empresa caiu 60% no período, para 5,2 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 480 milhões), ante 13 bilhões de coroas no mesmo trimestre de 2025. As ações da companhia recuaram 8% na Bolsa de Estocolmo nesta quinta-feira.
Resultados frustram expectativas
O desempenho da Volvo no segundo trimestre foi impactado por custos mais altos com matérias-primas e logística, além de despesas com o lançamento de novos modelos elétricos. A receita líquida caiu 12%, para 85 bilhões de coroas, enquanto o volume de vendas recuou 9%, para 185 mil veículos. A margem operacional encolheu de 12,5% para 6,1%.
“O trimestre foi desafiador, com pressões inflacionárias persistentes e investimentos elevados em eletrificação”, afirmou o CEO Jim Rowan em comunicado. “No entanto, estamos confiantes de que as medidas de redução de custos e a forte carteira de pedidos nos permitirão entregar uma melhora significativa no segundo semestre.”
Perspectivas de recuperação
A Volvo projeta que as entregas de veículos no segundo semestre superem as do primeiro, impulsionadas pelo lançamento do EX30, seu SUV elétrico de entrada, e pelo EX90, modelo topo de linha. A empresa também espera que a normalização das cadeias de suprimentos e a estabilização dos preços das matérias-primas contribuam para a recuperação das margens.
“Acreditamos que o pior já passou e estamos vendo sinais de melhora na demanda, especialmente na Europa e nos Estados Unidos”, acrescentou Rowan. A Volvo reiterou sua meta de crescimento de vendas de dois dígitos para o ano, apesar do desempenho fraco no primeiro semestre.
Impacto no mercado
O balanço decepcionante levou analistas a revisarem suas projeções para a ação. O BNP Paribas cortou o preço-alvo de 400 para 350 coroas, mantendo recomendação neutra. Já o Citi reduziu a recomendação de compra para neutra, citando riscos de execução e concorrência acirrada no segmento de elétricos.
As ações da Volvo acumulam queda de 25% em 2026, refletindo a desconfiança dos investidores quanto à capacidade da empresa de competir com rivais como Tesla e BYD. No entanto, a companhia mantém uma posição de caixa robusta, de 45 bilhões de coroas, o que lhe confere flexibilidade para enfrentar o cenário adverso.



