O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, vital para o transporte global de petróleo, foi quase totalmente interrompido nesta quinta-feira, 17 de julho de 2026, em meio a uma escalada de ataques entre os Estados Unidos e o Irã. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), o fluxo de petroleiros na região caiu 95% nas últimas 24 horas, com apenas três embarcações conseguindo atravessar o estreito, contra uma média diária de 60 navios.
Ataques recíprocos elevam tensão
Os ataques começaram na quarta-feira, quando os EUA lançaram mísseis contra bases iranianas na costa do Golfo Pérsico, em resposta a supostas ameaças a navios americanos. O Irã retaliou com ataques aéreos e de drones contra embarcações militares e civis próximas ao estreito. “A situação é extremamente grave; o estreito está praticamente fechado para navegação segura”, disse o porta-voz da Marinha iraniana, almirante Reza Zarei, em declaração à TV estatal.
O presidente dos EUA, John Smith, confirmou os ataques em pronunciamento: “Não toleraremos agressões contra nossos navios e aliados. Tomamos medidas proporcionais para garantir a segurança na região.”
Impacto imediato no mercado de petróleo
O barril de petróleo Brent disparou 12% nas bolsas asiáticas, atingindo US$ 98, o maior valor desde 2022. Analistas do Goldman Sachs estimam que, se o bloqueio persistir por mais de uma semana, o preço pode ultrapassar US$ 120. O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do tráfego global de petróleo, e qualquer interrupção prolongada ameaça a oferta para países como Japão, Índia e Coreia do Sul.
A Arábia Saudita, maior exportadora da região, anunciou que está redirecionando seus petroleiros para rotas alternativas, mas alertou que a capacidade de desvio é limitada. “Estamos monitorando a situação minuto a minuto”, afirmou o ministro da Energia saudita, Khalid al-Falih.
Reações internacionais e riscos de escalada
A ONU convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para esta sexta-feira. O secretário-geral, António Guterres, pediu “contenção máxima” de ambos os lados. A União Europeia, por meio de seu serviço de ação externa, classificou os ataques como “inaceitáveis” e exigiu cessar-fogo imediato.
O Irã ameaçou fechar permanentemente o estreito se os EUA não recuarem. “Se continuarem a nos atacar, não haverá mais tráfego pelo Estreito de Ormuz”, declarou o comandante da Guarda Revolucionária, general Hossein Salami. Em resposta, o Pentágono anunciou o envio de mais dois porta-aviões para o Golfo Pérsico, elevando para quatro o total na região.
Consequências econômicas globais
Além do petróleo, o estreito é rota de 25% do gás natural liquefeito (GNL) mundial. Países como Catar e Emirados Árabes Unidos já relataram dificuldades para exportar GNL, pressionando os preços do gás na Europa e Ásia. O índice de volatilidade VIX, conhecido como “índice do medo”, subiu 30% nesta quinta-feira.
Especialistas alertam para o risco de uma recessão global se o bloqueio durar mais de duas semanas. “Estamos diante de uma crise energética potencialmente pior que a de 1973”, avaliou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.



