Terreno da Refit pode voltar à própria órbita da empresa em leilão judicial
Terreno da Refit pode voltar à órbita da empresa em leilão

O terreno da construtora Refit, localizado em área nobre do Rio de Janeiro, será levado a leilão judicial no próximo mês. Avaliado em R$ 120 milhões, o imóvel pode ser arrematado por uma empresa ligada à própria Refit, em uma manobra que visa recuperar o ativo dentro do processo de recuperação judicial.

Detalhes do leilão

O leilão está marcado para o dia 15 de setembro, em primeira chamada, com lance mínimo de R$ 120 milhões. Caso não haja interessados, uma segunda chamada está prevista para o dia 30 de setembro, com desconto de 20% sobre o valor de avaliação, ou seja, lance mínimo de R$ 96 milhões.

O terreno, de aproximadamente 15 mil metros quadrados, está localizado no bairro do Recreio dos Bandeirantes, uma das regiões com maior valorização imobiliária da cidade. A área é considerada estratégica para empreendimentos residenciais de alto padrão.

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Possível arrematação pela própria empresa

Segundo fontes ligadas ao processo, uma empresa controlada por sócios da Refit já manifestou interesse em participar do leilão. Essa empresa, cujo nome não foi revelado, teria como objetivo arrematar o terreno e, posteriormente, repassá-lo para a construtora, que poderia retomá-lo como parte de seu plano de recuperação.

O advogado da Refit, Carlos Eduardo de Oliveira, confirmou que a empresa estuda a possibilidade de participar do leilão por meio de uma subsidiária. "Estamos avaliando todas as alternativas para garantir que o terreno volte a integrar o patrimônio da construtora, o que é fundamental para a viabilidade do nosso plano de recuperação", afirmou Oliveira.

Contexto da recuperação judicial

A Refit entrou com pedido de recuperação judicial em março deste ano, após acumular dívidas que somam R$ 850 milhões. A empresa, que já foi uma das maiores construtoras do estado do Rio de Janeiro, enfrenta uma crise financeira agravada pela pandemia e pela retração do mercado imobiliário.

O terreno no Recreio é um dos principais ativos da empresa. Em seu plano de recuperação, a Refit prevê a venda de parte de seus imóveis para pagar credores, mas a diretoria sempre demonstrou interesse em manter o terreno como base para futuros empreendimentos.

Impacto para credores e mercado

Especialistas em direito empresarial apontam que a arrematação do terreno por uma empresa ligada à própria Refit pode ser questionada por credores, que podem alegar conflito de interesses. No entanto, a prática não é ilegal, desde que respeitadas as regras do leilão e a transparência do processo.

Para o mercado imobiliário, a venda do terreno representa uma oportunidade para novos investidores, mas a possível participação da Refit pode sinalizar uma tentativa de controlar o ativo. "Se a empresa conseguir recomprar o terreno por um valor menor do que o avaliado, isso pode ser visto como uma forma de reduzir suas perdas, mas também pode gerar desconfiança entre os credores", analisa o economista Roberto Mendes.

Próximos passos

O edital do leilão foi publicado no Diário de Justiça Eletrônico na última segunda-feira. Interessados devem fazer um depósito caução de 10% do valor do lance. A empresa ligada à Refit já teria feito o depósito para participar da primeira chamada, segundo informações extraoficiais.

O juiz responsável pelo caso, Marcelo de Souza, afirmou que o leilão será conduzido de forma transparente e que qualquer proposta será analisada criteriosamente. "Nosso objetivo é garantir a melhor solução para os credores e para a manutenção da atividade econômica", disse o magistrado.

A Refit, que já chegou a ter mais de 2 mil funcionários, hoje opera com uma equipe reduzida de 300 pessoas. A recuperação judicial é vista como uma última tentativa de evitar a falência, e o terreno no Recreio é considerado peça-chave nesse processo.

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