A construtora Tenda (TEND3) reportou lucro líquido consolidado de R$ 161,3 milhões no segundo trimestre de 2026, excluindo o efeito do contrato derivativo de ações (equity swap). O resultado representa um salto de 109% em relação ao mesmo período de 2025.
Expansão de lançamentos e vendas impulsiona receita
A melhora veio com a expansão dos lançamentos e das vendas de imóveis ao longo dos últimos trimestres, o que contribuiu para o aumento da receita e a diluição de custos, com crescimento da margem de lucro. A Tenda também obteve economias na construção devido a ganhos de eficiência em algumas etapas da obra, como concretagem, além da antecipação de entregas. Com isso, reverteu provisões para gastos extras nos canteiros, que foram incorporados ao lucro.
Ebitda ajustado cresce 64,9%
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado e ajustado somou R$ 275,2 milhões no trimestre, avanço de 64,9% na comparação anual. O critério ajustado exclui juros capitalizados, despesas com planos de ações e minoritários. A margem Ebitda ajustada foi de 37,3%, aumento de 5,3 pontos percentuais.
Receita líquida atinge recorde de R$ 1,29 bilhão
A receita líquida consolidada totalizou o recorde de R$ 1,29 bilhão, expansão de 30%, em função do aumento do número de apartamentos vendidos e também do crescimento do preço médio por unidade.
Divisão Tenda tem lucro, Alea amplia prejuízo
A divisão Tenda (empreendimentos em concreto) teve lucro líquido de R$ 209 milhões no segundo trimestre, queda de 9,1% na comparação anual. A margem bruta ajustada foi de 39,9%, alta de 4,8 pontos percentuais. Já a divisão Alea (estruturas pré-moldadas de madeira) gerou prejuízo de R$ 29,9 milhões, uma perda 14,7% maior na mesma base de comparação anual.
Despesas operacionais aumentam 23,7%
As despesas operacionais (vendas, gerais e administrativas) consolidadas aumentaram 23,7%, totalizando R$ 203,7 milhões. Esse aumento decorreu de contratações e do pagamento de bônus acima do provisionado referente ao exercício de 2025, fruto do maior atingimento de metas pela administração.
Outras despesas e PDD em alta
A Tenda reportou R$ 30,7 milhões em “outras despesas” no trimestre, volume seis vezes o registrado um ano antes. A companhia afirmou que houve mais movimentações de processos no período, provocando esse aumento temporário nas despesas judiciais. A provisão para devedores duvidosos (PDD) foi a R$ 36,6 milhões, alta de 207,4%, refletindo o endividamento das famílias e dificuldades em pagarem as parcelas dos imóveis.
Geração de caixa e endividamento
O grupo reportou geração de caixa operacional consolidada de R$ 52,5 milhões, dos quais R$ 68,9 milhões foram gerados pela Divisão Tenda. Já a Divisão Alea teve queima de caixa de R$ 16,4 milhões. A Tenda chegou ao fim do segundo trimestre com dívida líquida de R$ 303,2 milhões, queda de 6,7% em relação ao primeiro trimestre. A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida corporativa e patrimônio líquido ficou em 1,9%.
Administração confiante no melhor momento histórico
Na apresentação de resultados, a administração afirmou estar confiante de que a companhia está em seu melhor momento histórico, destacando crescimento disciplinado, operação estável e controle de riscos, o que permitirá navegar com segurança no cenário macroeconômico.
Desempenho operacional: lançamentos e vendas
O grupo lançou 17 empreendimentos no segundo trimestre, avaliados em R$ 1,76 bilhão, aumento de 59% na comparação anual. As vendas líquidas de imóveis atingiram R$ 1,4 bilhão, nível recorde para um segundo trimestre, e aumento de 17,2% na comparação anual. A companhia notou que houve redução da velocidade de vendas para 24,4% (estava na faixa de 25% a 30%). Isso ocorreu pela subida no preço dos apartamentos para compensar a elevação dos custos de construção. O preço médio dos imóveis do grupo subiu 10,9% em um ano, chegando a R$ 241,8 mil. Pela frente, a direção da empresa espera um cenário de inflação mais controlado e tem a perspectiva de voltar a acelerar as vendas.
Banco de terrenos e expansão geográfica
A Tenda chegou à metade deste ano com um estoque de terrenos onde vê potencial para lançar empreendimentos avaliados em R$ 33,7 bilhões - um potencial 29% maior que um ano antes. A companhia está presente em 10 regiões metropolitanas. No último trimestre, entrou em João Pessoa e voltou a crescer em cidades como Goiânia e Curitiba.



