GPA amplia perdas no 2º trimestre com impacto da recuperação extrajudicial
GPA amplia perdas no 2º trimestre com recuperação extrajudicial

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) ampliou suas perdas no segundo trimestre de 2026, impactado pelos custos da recuperação extrajudicial e por despesas financeiras mais altas. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,2 bilhão entre abril e junho, ante uma perda de R$ 850 milhões no mesmo período do ano anterior.

O resultado reflete o aumento das despesas com juros e a reestruturação de dívidas, que elevou os custos operacionais. A receita líquida caiu 4,6% na comparação anual, para R$ 8,7 bilhões, pressionada pela inflação alimentar e pelo cenário de consumo mais fraco.

Impacto da recuperação extrajudicial

Em maio, o GPA anunciou a entrada em recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4 bilhões em dívidas com bancos e fornecedores. O processo gerou custos extraordinários de aproximadamente R$ 300 milhões no trimestre, incluindo honorários de assessores e provisões para reestruturação.

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“A recuperação extrajudicial é um passo importante para reequilibrar nossa estrutura de capital e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo”, afirmou o diretor financeiro do GPA, em teleconferência com analistas. Ele destacou que a companhia já obteve adesão de 85% dos credores financeiros ao plano proposto.

Ebitda ajustado e margem

O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 480 milhões, com margem de 5,5%, uma queda de 1,2 ponto percentual em relação ao segundo trimestre de 2025. A empresa atribuiu a queda ao aumento das despesas com aluguel e logística, além do impacto de lojas fechadas.

As despesas com vendas, gerais e administrativas cresceram 3,8% no trimestre, para R$ 2,4 bilhões. O GPA também registrou uma redução de 2,1% nas vendas mesmas lojas (mesmas unidades abertas há mais de 12 meses), refletindo o cenário de menor confiança do consumidor.

Endividamento e fluxo de caixa

A dívida líquida do GPA alcançou R$ 9,8 bilhões ao final de junho, equivalente a 5,2 vezes o Ebitda ajustado dos últimos 12 meses. O caixa e equivalentes somavam R$ 2,1 bilhões, suficientes para cobrir as obrigações de curto prazo, segundo a companhia.

O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 150 milhões no trimestre, impactado pelo pagamento de juros e pela recomposição de estoques. A empresa afirmou que espera gerar caixa positivo no segundo semestre, com a conclusão da reestruturação e a implementação de um plano de eficiência operacional.

Perspectivas

Para o restante de 2026, o GPA projeta uma estabilização das vendas, com foco em lojas de proximidade e no formato atacarejo. A companhia também planeja fechar até 10 unidades consideradas não estratégicas, o que deve gerar economia anual de R$ 200 milhões.

O mercado reagiu negativamente aos números, com as ações do GPA caindo 5,2% na B3 nesta quarta-feira (4). Analistas do Credit Suisse, em relatório, classificaram o resultado como “fraco” e destacaram a necessidade de uma execução impecável do plano de recuperação para evitar uma deterioração adicional da saúde financeira.

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