STF autoriza 3º inquérito contra Lulinha por corrupção
STF autoriza 3º inquérito contra Lulinha

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um novo inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeita de corrupção e tráfico de influência. Esta é a terceira investigação aberta no STF contra Lulinha em apenas uma semana, ampliando o cerco judicial sobre o primogênito do presidente.

Entenda o novo inquérito

O inquérito foi solicitado pela Polícia Federal (PF) e vai apurar se Lulinha e um grupo de pessoas mantinham negócios supostamente ilícitos em áreas do governo federal. A suspeita é de tráfico de influência, corrupção e possível favorecimento de interesses privados em órgãos federais. A decisão de Dino foi divulgada nesta quinta-feira (20) e representa mais um capítulo nas investigações que envolvem o filho do presidente.

Entre os citados no novo inquérito está Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete da Presidência até duas semanas atrás, quando deixou o cargo para se dedicar à campanha de Lula à reeleição. O nome de Marcola surgiu durante a análise do celular da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, apreendido em dezembro de 2025 no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Transferência de R$ 249 mil

De acordo com a PF, foram identificados pagamentos feitos por Roberta Luchsinger a Marcola, que confirmou os repasses. Em nota, Marcola afirmou que se trata de um empréstimo pessoal, quitado por meio de transferência bancária de R$ 249 mil. Ele disse que a movimentação é estritamente privada e que orientou seu advogado a apresentar todos os documentos para esclarecer os fatos.

Esse material também alimenta outro inquérito, aberto na semana passada pelo ministro André Mendonça, que investiga suspeitas de tráfico de influência de Lulinha no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência em favor do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo investigadores, o lobista teria como objetivo obter um contrato no ministério para fornecer medicamentos à base de cannabis, mas o negócio não foi concretizado.

Viagem a Portugal e outras investigações

Em depoimento à PF, Roberta Luchsinger confirmou que apresentou o Careca do INSS a Lulinha. O filho do presidente chegou a viajar com o lobista para Portugal, com passagem e hospedagem pagas por ele, para visitar uma fábrica de cannabis. Além disso, Lulinha é alvo de uma terceira investigação, também autorizada por André Mendonça, que apura se ele atuou para favorecer empresários junto à Dataprev, estatal responsável pelas bases de dados da Previdência Social e de outros programas sociais.

O ministro Flávio Dino também determinou a abertura de outro inquérito, a pedido da PF, sobre o possível vazamento de dados dessas investigações. A defesa de Lulinha havia solicitado que o STF investigasse eventuais vazamentos.

Defesas e reações

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que vai esclarecer eventuais dúvidas sobre a atividade pessoal e profissional dele, e que Lulinha provará que não tem relação, direta ou indireta, com qualquer irregularidade. Já a defesa de Roberta Luchsinger disse que vai atuar nos autos, na certeza de que tudo será esclarecido. A defesa de Antônio Carlos Camilo Antunes, por sua vez, informou que não teve acesso ao inquérito e desconhece a acusação. A Dataprev declarou que prestará as informações necessárias às autoridades competentes.

As investigações correm sob sigilo no STF, e a expectativa é de que a PF realize diligências para apurar os fatos. Este é mais um desdobramento da Operação Sem Desconto, que já resultou em diversas prisões e afastamentos relacionados a fraudes no INSS.

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