Tarifa de 25% deve inviabilizar exportações de papel aos EUA, diz IBA
Tarifa de 25% inviabiliza exportações de papel aos EUA

A Indústria Brasileira de Árvores (IBA) declarou nesta quarta-feira que a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre o papel brasileiro torna inviáveis as exportações do produto para o mercado americano. A medida, que entrou em vigor em 1º de julho, afeta diretamente cerca de 1,7 bilhão de dólares em vendas anuais do setor.

Impacto imediato nas exportações

Segundo a IBA, a tarifa foi aplicada sem negociação prévia e sem considerar os acordos comerciais existentes. O presidente da entidade, José Carlos da Silva, afirmou que “a alíquota de 25% torna o papel brasileiro completamente não competitivo frente a outros fornecedores, como Canadá e Suécia, que não sofrem a mesma sobretaxa”. Ele acrescentou que as empresas já começaram a cancelar pedidos e a buscar novos mercados, mas a perda de receita será significativa.

O Brasil é o segundo maior exportador de papel para os EUA, atrás apenas do Canadá. Em 2025, as exportações brasileiras de papel para o país norte-americano somaram 1,7 bilhão de dólares, representando 12% do total exportado pelo setor. A tarifa foi anunciada como parte de uma revisão de medidas antidumping, mas a IBA contesta a fundamentação técnica.

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Reação do setor e busca por alternativas

A IBA informou que já acionou o governo brasileiro para buscar uma solução diplomática e comercial. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que está analisando o caso e que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto isso, as empresas do setor estão redirecionando suas exportações para a Ásia e Europa, onde a demanda por papel tem crescido.

“Estamos tentando minimizar os danos, mas a curto prazo, a perda de empregos e de investimentos é inevitável”, disse Silva. O setor de papel e celulose emprega diretamente 100 mil pessoas no Brasil e responde por 2% do PIB industrial. A IBA estima que, se a tarifa for mantida, as exportações de papel para os EUA podem cair 80% em 2026.

Contexto da medida americana

O governo dos EUA justificou a tarifa alegando que o Brasil pratica subsídios ilegais ao setor, o que a IBA nega veementemente. A entidade afirma que o Brasil segue as regras da OMC e que a tarifa é protecionista. Analistas apontam que a medida pode escalar para uma disputa comercial mais ampla, afetando outros produtos brasileiros.

Enquanto não há solução, as empresas brasileiras de papel acumulam prejuízos. A maior produtora do país, a Suzano, já anunciou a redução de 10% de sua produção destinada aos EUA e a demissão de 200 funcionários em suas fábricas no Paraná e em São Paulo. A Klabin também comunicou que está reavaliando seus investimentos no setor de papel para exportação.

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