Sinistralidade alta ofusca lucro maior da Bradsaúde no 2º tri
Sinistralidade alta ofusca lucro da Bradsaúde

A Bradsaúde registrou lucro líquido de R$ 245 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o avanço da sinistralidade – indicador que mede a relação entre despesas assistenciais e prêmios ganhos – ofuscou o resultado positivo e levantou preocupações sobre a sustentabilidade das margens da operadora de saúde.

Desempenho financeiro e impacto da sinistralidade

De acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira, a sinistralidade atingiu 84,5% no trimestre, ante 82,1% no segundo trimestre de 2025. O aumento de 2,4 pontos percentuais reflete a aceleração dos custos médicos e hospitalares, especialmente em procedimentos de alta complexidade e internações.

“A pressão inflacionária na área da saúde continua sendo um desafio estrutural para o setor. A Bradsaúde está focada em medidas de gestão de utilização e renegociação de contratos com prestadores para conter esse avanço”, afirmou o diretor financeiro da companhia, Ricardo Mendes, em teleconferência com analistas.

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Receita e despesas assistenciais

A receita de prêmios da operadora somou R$ 1,8 bilhão no período, crescimento de 9% na comparação anual. As despesas assistenciais, por sua vez, totalizaram R$ 1,52 bilhão, alta de 12,5%, o que explica a deterioração do índice de sinistralidade.

O resultado operacional (EBITDA) ajustado foi de R$ 180 milhões, com margem de 10%, abaixo dos 11,5% registrados no ano anterior. A companhia atribuiu a queda à combinação de maior sinistralidade e investimentos em tecnologia e expansão da rede credenciada.

Perspectivas e medidas de contenção

Para o segundo semestre, a Bradsaúde projeta manutenção da sinistralidade em patamares elevados, mas espera mitigar os efeitos com reajustes de mensalidades e programas de prevenção. A operadora também anunciou a ampliação do programa de telemedicina e a revisão de contratos com hospitais de alto custo.

“Acreditamos que as iniciativas em curso começarão a surtir efeito a partir do quarto trimestre, com uma estabilização do indicador. O foco é equilibrar o acesso à saúde com a eficiência financeira”, complementou Mendes.

Reação do mercado

As ações da Bradsaúde fecharam em queda de 2,3% na B3, refletindo a percepção de que o lucro maior foi insuficiente para compensar o risco de piora da rentabilidade. Analistas do setor destacam que a sinistralidade acima de 85% é considerada um ponto de atenção, exigindo acompanhamento próximo.

A companhia mantém a meta de crescimento de receita de dois dígitos para o ano, mas reconhece que a margem poderá sofrer pressão caso o cenário de custos não se reverta.

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