Shoppings usam lives, games e minibairros para atrair quem compra online
Shoppings usam lives e games para atrair clientes online

Os shopping centers brasileiros estão se reinventando para reconquistar o consumidor que migrou para as compras on-line. Entre as apostas estão transmissões ao vivo com produtos das lojas, espaços de games e até o conceito de “minibairros”, que misturam moradia, lazer e comércio no mesmo empreendimento. O Norte Shopping e o Shopping da Bahia já saíram na frente ao instalar estúdios próprios para a produção de lives, vendendo itens oferecidos pelas lojas em tempo real.

Live commerce: a nova aposta dos shoppings

A prática, conhecida como live commerce, vem ganhando força no varejo brasileiro. A vendedora Aline Guimarães, de 42 anos, apresenta produtos em uma live no TikTok realizada no estúdio do Norte Shopping. A estrutura permite que lojistas mostrem suas mercadorias para uma audiência ampla, sem depender apenas do tráfego presencial. A estratégia visa ampliar o fluxo de visitantes, unindo o alcance das redes sociais à experiência de compra tradicional.

Os estúdios são equipados com iluminação, câmeras e cenários pensados para destacar os produtos. Os lojistas podem usar o espaço gratuitamente ou mediante agendamento, dependendo das regras de cada shopping. A ideia é que o consumidor assista à transmissão, interaja pelo chat e finalize a compra tanto no ambiente virtual quanto na loja física.

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Games e entretenimento para atrair famílias

Além das lives, os shoppings estão investindo em áreas de games para atrair o público jovem e as famílias. Torneios de videogame, simuladores e experiências imersivas são algumas das atrações que transformam o centro de compras em um ponto de lazer. Essas iniciativas buscam criar um motivo extra para o cliente sair de casa, mesmo quando a compra poderia ser feita pela internet.

O público familiar é um dos principais alvos. Enquanto os adultos fazem compras, as crianças e adolescentes podem se divertir nas praças de games. Isso aumenta o tempo de permanência no shopping e, consequentemente, as chances de consumo em restaurantes e outras lojas. A tendência já é observada em grandes redes do setor. O movimento faz parte de uma transformação que redefine o papel dos shoppings na vida urbana.

Minibairros: o futuro dos centros de compras

O conceito de “minibairros” surge como uma resposta mais ousada à queda no número de visitantes. Nesse modelo, os empreendimentos não são apenas locais de compra, mas verdadeiros ecossistemas que integram residências, escritórios, áreas verdes, academias e espaços de convivência. O objetivo é fazer com que as pessoas morem, trabalhem e se divirtam no mesmo ambiente, criando uma relação de longo prazo com o espaço.

Essa tendência global já começa a ser discutida no Brasil. Incorporadoras e gestoras de shopping centers avaliam transformar estacionamentos subutilizados e áreas de expansão em torres residenciais ou espaços multilúso. Nos Estados Unidos, projetos semelhantes já mostraram aumento no fluxo de clientes. No Brasil, a ideia ainda é incipiente, mas promete mudar o desenho dos empreendimentos nas próximas décadas.

Reconquistando o cliente digital

As estratégias combinadas mostram que o shopping center não vai desaparecer, mas precisa se adaptar a uma nova realidade. As lives aproximam o consumidor que está em casa; os games atrai as novas gerações; e os minibairros garantem que o espaço continue relevante no dia a dia. A aposta é que essa combinação amplie o fluxo de visitantes e, com ele, as vendas das lojas.

Nesse novo cenário, a tecnologia tem papel central. O uso de dados para personalizar ofertas, a integração entre estoque on-line e presencial e a criação de experiências exclusivas são medidas complementares. Os shoppings que souberem unir o melhor dos dois mundos – a comodidade digital e o contato físico – tendem a sair na frente na disputa pelo bolso do consumidor.

O caso de Aline Guimarães é um exemplo prático de como as lives podem ser incorporadas ao dia a dia dos lojistas. Com 42 anos, ela usa a plataforma TikTok para apresentar produtos e interagir com clientes de diversas regiões. Para ela, a ferramenta é uma oportunidade de ampliar o alcance das vendas sem abrir mão do atendimento próximo. A experiência do Norte Shopping deve servir de modelo para que outras redes adotem o formato.

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Na prática, o que muda para o consumidor?

O consumidor ganha mais flexibilidade: pode acompanhar as novidades do shopping sem sair de casa, participar de transmissões ao vivo e tirar dúvidas em tempo real. Quando decide visitar o local, encontra opções de lazer além das lojas. A tendência é que os shoppings se tornem cada vez mais pontos de encontro, e não apenas locais de compra.

Para isso, a infraestrutura precisa acompanhar. Wi-Fi de alta velocidade, espaços para interação e programação constante são alguns dos requisitos. Os gestores do setor acreditam que a combinação de tecnologia, entretenimento e conveniência será essencial para manter os shoppings vivos e lucrativos em um mercado cada vez mais digital.