O mundo pede um olhar mais profundo
O mundo pede um olhar mais profundo

A era da pressa e das telas

Vivemos tempos em que a velocidade venceu a profundidade. As redes sociais, os aplicativos de mensagem e a cultura do instante nos empurram para uma existência pautada pela superfície. Tudo é rápido, descartável e imediatista. Mas, segundo a colunista Luana Genot, o mundo — com suas crises, belezas e complexidades — clama por um olhar mais atento, mais lento e mais verdadeiro.

Em sua mais recente coluna, Genot parte de uma observação simples: raramente percebemos os detalhes ao nosso redor. O céu ao entardecer, a textura das folhas, o som das pessoas passando. Esse apagamento dos sentidos, ela argumenta, não é casual. É consequência de um modelo de vida que nos treina para ignorar o que não é útil, instantâneo ou vendável.

A cultura do descartável

A filósofa coreana Byung-Chul Han, em seus ensaios sobre a sociedade do cansaço, já alertava para a erosão da contemplação. Genot dialoga com essa ideia ao lembrar que até as relações humanas foram transformadas em produtos: curtimos, seguimos e desfazemos laços com um simples toque na tela. Nada fica tempo suficiente para amadurecer.

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Nesse contexto, a escritora defende que um olhar profundo é um ato de resistência. Olhar devagar não é perder tempo, é ganhar substância. É permitir que as coisas nos afetem, que os lugares tenham história e que as pessoas se tornem presenças reais, não apenas perfis.

Os benefícios de desacelerar

Estudos na área de psicologia cognitiva indicam que a atenção plena reduz ansiedade e aumenta a empatia. Mas não é preciso citar números para perceber o efeito: quem reserva dez minutos por dia para observar o horizonte, sem celular na mão, volta para si mesmo com mais clareza. Genot sugere exercícios simples, como caminhar sem destino, reparar nas cores e cheirar o ar depois da chuva.

Mais do que uma tendência de bem-estar, essa prática é um convite a reconectar com o que nos torna humanos. A natureza, as artes, a conversa sem pressa — tudo isso exige tempo. E o tempo, ela lembra, é o único bem que não se multiplica.

O chamado do mundo

Genot também observa que o planeta pede urgência. As mudanças climáticas, a desigualdade e as guerras mostram que o olhar superficial não resolve nada. Problemas complexos exigem compreensão profunda, escuta ativa e vontade de enxergar além das manchetes. A indiferença muitas vezes começa pela preguiça de olhar.

Nesse sentido, a coluna termina com um chamado: que cada leitor escolha, hoje, um único objeto, pessoa ou paisagem para observar com verdadeira atenção. Esse gesto, aparentemente mínimo, pode ser o primeiro passo para um modo de existir mais inteiro — e mais consciente.

Um convite à experimentação

Se você sente que a vida anda borrada, talvez o problema não seja o mundo, mas a lente com que o encaramos. Experimente, por uma semana, deixar o telefone em outro cômodo durante as refeições. Olhe nos olhos de quem fala com você. Repare nos detalhes de um prédio antigo. Anote, ao fim do dia, três coisas que passaram despercebidas.

O que Luana Genot propõe não é uma fuga da realidade, mas uma volta para ela. Porque, como diz a colunista, o mundo não precisa de mais ruído — e sim de mais presença. Talvez seja essa a maior urgência do nosso tempo.

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