O programa de recompra de ações na Bolsa de Valores brasileira (B3) ganhou forte impulso em 2025, atingindo a marca de R$ 11 bilhões nos primeiros sete meses do ano. O volume representa um aumento significativo em relação ao mesmo período de 2024, quando as recompras somaram R$ 7,8 bilhões, segundo dados consolidados pela Elos Ayta Consultoria.
O que impulsiona a aceleração das recompras
O movimento é liderado por grandes empresas que buscam aproveitar a desvalorização de suas ações para gerar valor aos acionistas. Entre os principais motivos estão a percepção de que os papéis estão subavaliados e a intenção de distribuir dividendos de forma mais eficiente. A recompra reduz a base de ações em circulação, aumentando o lucro por ação e, potencialmente, o preço dos papéis.
De acordo com a Elos Ayta, o setor financeiro é o que mais contribui para o total, com destaque para bancos como Itaú Unibanco e Bradesco. No entanto, empresas de energia, infraestrutura e consumo também têm intensificado seus programas.
5 ações para ficar de olho
Analistas do mercado selecionaram cinco ações que se destacam nos programas de recompra e que podem oferecer boas oportunidades de investimento:
- Telefônica Brasil (VIVT3) – anunciou R$ 500 milhões em proventos e mantém recompra ativa;
- Embraer (EMBR3) – com programa de recompra em andamento, a empresa se beneficia da demanda por jatos comerciais;
- Grupo Vamos (VAMO3) – registrou receita de R$ 1,55 bilhão no 2º trimestre, alta de 10,1% anual, e mantém recompra;
- Plano&Plano (PLPL3) – vendas líquidas cresceram 2,5% no 2º trimestre, sustentando o programa;
- Eneva (ENEV3) – empresa de energia com forte geração de caixa e recompra ativa.
“A recompra de ações é um sinal de confiança da administração na empresa e nos preços atuais”, afirma o economista do Safra, que vê “algo errado” na política econômica e critica a manutenção da Selic em patamares elevados. Segundo ele, a taxa básica de juros alta desestimula investimentos produtivos e favorece a especulação.
Impacto no mercado e perspectivas
A aceleração das recompras ocorre em meio a um cenário de volatilidade, com o Ibovespa oscilando entre perdas e ganhos. O Dow Jones Futuro caiu com vendas de ações de chips e tensões no Oriente Médio, o que pressiona a Bolsa brasileira. No entanto, o movimento de recompra pode dar suporte aos preços.
“Nunca nada tão óbvio esteve tão barato”, diz Appel, da Adam Asset, sobre alocação em IA. O gestor recomenda cautela, mas vê oportunidades em setores como tecnologia e energia limpa. Já a Kinea questiona se US$ 1 trilhão investido em inteligência artificial terá o retorno esperado.
No mercado de renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs seguem atrativas, com destaque para emissões de bancos médios. O FII HGRE11 vendeu conjuntos comerciais em São Paulo e propõe emissão de até R$ 700 milhões.
Recomendações finais
Especialistas recomendam que investidores acompanhem os programas de recompra como um indicador de valor, mas alertam para a necessidade de análise fundamentalista. “A recompra não é garantia de alta, mas sinaliza que a empresa acredita em seu próprio valor”, conclui o economista do Safra.



