Ânima (ANIM3) sobe 9% após tombo de 32%; BTG rebaixa ação e vê risco
Ânima sobe 9% após tombo; BTG rebaixa ação e vê risco

As ações da Ânima (ANIM3) operam em alta nesta quinta-feira (16), mas ainda não recuperam as perdas de 32,75% registradas na véspera. Às 16h27, os papéis sobem 9,33%, cotados a R$ 2,11. A empresa informou que Rômulo Faccini Castanho elevou sua participação acionária individual para 8,597% das ações ordinárias, um dia após o anúncio da aquisição de 100% das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU).

Detalhes da aquisição e múltiplo elevado

A compra da FMU ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com desfecho esperado até o final do ano. Considerando a dívida líquida ajustada da FMU, de R$ 150 milhões, a operação implica um valor de empresa (EV) de aproximadamente R$ 560 milhões, ou cerca de 10 vezes o EV/Ebitda, com base no Ebitda ajustado dos últimos 12 meses até o 1º trimestre de 2026, de R$ 53 milhões.

“Trata-se de um múltiplo elevado, muito acima das cerca de 3,3 vezes EV/Ebitda em que as ações da própria Ânima são negociadas”, avalia o BTG Pactual. A alavancagem da companhia, medida pela relação dívida líquida/Ebitda pró-forma, aumentará em 0,4 vez, passando de 2,39 vezes para 2,73 vezes, com base nos números do primeiro trimestre de 2026.

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Reação do mercado e rebaixamento do BTG

Na avaliação do BTG, vários fatores dificultam a justificativa para o preço pago: o custo de capital no Brasil próximo das máximas históricas, o balanço pressionado da Ânima, o fato de as empresas do setor negociarem a múltiplos deprimidos e o cenário incerto para os juros. “Isso se torna ainda mais surpreendente diante do recente processo de recuperação judicial da FMU”, acrescenta o banco.

O BTG rebaixou a recomendação para ANIM3 de compra para neutra, reduzindo o preço-alvo de R$ 7 para R$ 4 por ação. “Teríamos sido muito mais favoráveis a um programa de recompra de ações ou até mesmo à aquisição de concorrentes listados em Bolsa, mesmo pagando prêmio, já que qualquer uma dessas alternativas provavelmente teria ocorrido a múltiplos significativamente menores”, destaca o banco.

XP Investimentos e Itaú BBA avaliam riscos

A XP Investimentos também vê a operação em momento desfavorável sob as perspectivas macroeconômica, setorial e da própria companhia. “Nesse sentido, a incorporação de um novo ativo, especialmente um que ainda demanda a superação dos desafios associados a um processo de recuperação judicial, pode prejudicar o foco atual da companhia em sua trajetória de melhora das métricas de alavancagem”, afirma a XP.

Após reuniões com o CFO Átila Cunha e a diretora de RI Carina Carreira, o Itaú BBA afirmou que a administração enfatizou a importância de fortalecer a posição em São Paulo. A companhia acredita que o lucro operacional da FMU poderá atingir entre R$ 97 milhões e R$ 131 milhões, com margens avançando de cerca de 20% para mais de 40%. No entanto, o Itaú BBA mantém dúvidas sobre a execução: “Após a forte reação negativa do mercado, o debate deve continuar concentrado na capacidade da companhia de entregar o aumento esperado do Ebitda, conduzir a integração, administrar os passivos contingentes e manter sua trajetória de desalavancagem sem necessidade de investimentos significativamente maiores.”

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