Mondelēz e ASC negociam volta dos chicletes Ping Pong e Ploc
Mondelēz e ASC negociam volta de Ping Pong e Ploc

A Mondelēz e a ASC Brands estão em negociações para um possível acordo envolvendo os registros das marcas de chicletes Ping Pong e Ploc. A disputa pela propriedade intelectual pode permitir que essas guloseimas, que fizeram sucesso entre as crianças nas décadas de 1980 e 1990, retornem ao mercado. O impasse começou quando o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) suspendeu os registros da Mondelēz em abril, após um processo administrativo movido pela ASC Brands, que atua no setor de licenciamento de marcas.

O processo no INPI e o pedido de caducidade

A ASC Brands solicitou ao INPI a caducidade dos registros da Mondelēz, que detém 15 marcas ligadas a Ping Pong e Ploc. O argumento central é que a gigante de alimentos não comercializa os chicletes há mais de cinco anos, o que contraria a legislação brasileira de propriedade intelectual. A disputa tramita no INPI desde 2023. Durante o processo, a Mondelēz admitiu que suspendeu as vendas em 2015, mas alegou que possui projetos de relançamento das marcas.

Além de pedir o cancelamento dos registros da Mondelēz, a ASC também solicitou o registro de Ploc e Ping Pong em seu próprio nome. A empresa planeja relançar as marcas em parceria com fabricantes. Atualmente, a ASC comercializa o chiclete Ox Gum Fiel Macabra, em parceria com uma torcida organizada do Corinthians. Segundo fontes próximas às discussões, um acordo com a Mondelēz é uma possibilidade, mas as conversas estão em estágio inicial.

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Acusações mútuas e histórico de disputas

O clima no processo é de troca de acusações. A Mondelēz acusa a ASC de “abuso de direitos” e “aproveitamento parasitário de reputação construída ao longo de décadas”. Por outro lado, a ASC destaca que a Mondelēz já utilizou pedidos de caducidade contra concorrentes. Em 2017, a Mondelēz pediu a extinção do registro da marca Liquifresh, da Nestlé, argumentando que a marca não estava em uso e que sua manutenção favorecia terceiros que se “aproveitariam” da marca Fresh.

Em recurso apresentado recentemente, a Mondelēz argumentou que os quase 11 anos entre a suspensão da comercialização e os projetos de relançamento “não pode ser analisado de forma estanque e descontextualizada”. A empresa defende que fatores econômicos e de mercado devem ser considerados. Além disso, destacou que Ploc e Ping Pong são marcas reconhecidas e com “forte apelo nostálgico”, o que exige planejamento estratégico para seu retorno. “A temporária suspensão do uso, quando inserida em contexto de reestruturação ou planejamento comercial, não configura abandono, mas sim exercício legítimo do direito de gestão do ativo marcário”, afirmou a companhia.

Posicionamento das empresas e histórico das marcas

Procurada, a Mondelēz informou que não comenta processos em andamento. Já a ASC afirmou que se manifestará no processo no INPI e está “aberta a conversar com a Mondelēz”. O chiclete Ping Pong foi o primeiro chiclete de bola vendido no Brasil, lançado em 1945, e tornou-se um sucesso de vendas da Kibon. Pouco depois, a fabricante de balas Adams lançou o Ploc para conquistar o mesmo público: crianças e adolescentes. Mais tarde, ambas as marcas foram incorporadas pela Kraft Foods (hoje Mondelēz International) e acabaram saindo do mercado.

A possível volta desses produtos icônicos depende do desfecho da disputa ou de um acordo entre as partes. O caso ganha relevância não apenas pelo aspecto jurídico, mas também pelo impacto comercial e emocional para os consumidores que cresceram com esses chicletes.

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