A gigante britânica de energia BP reportou um lucro de US$ 2,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, um salto de 79% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pela volatilidade nos preços do petróleo e do gás causada pelas tensões no Oriente Médio. O resultado superou as expectativas dos analistas, que projetavam lucro em torno de US$ 2 bilhões.
Desempenho financeiro e retorno aos acionistas
O lucro subjacente, que exclui itens extraordinários, atingiu US$ 2,3 bilhões, comparado a US$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2025. A empresa também reportou um fluxo de caixa operacional robusto de US$ 8,1 bilhões, permitindo à BP aumentar seu dividendo trimestral em 10% e expandir seu programa de recompra de ações em US$ 1,5 bilhão, totalizando US$ 4,5 bilhões no semestre.
“Os resultados refletem nossa disciplina operacional e a capacidade de capturar oportunidades em um ambiente de mercado volátil”, afirmou o CEO da BP, Murray Auchincloss, em comunicado. “Continuamos comprometidos em entregar valor aos acionistas enquanto investimos na transição energética.”
Impacto da geopolítica e preços de energia
A volatilidade no Oriente Médio, especialmente os ataques a infraestruturas de petróleo na região, elevou os preços do Brent para uma média de US$ 85 por barril no trimestre, ante US$ 70 no ano anterior. Isso beneficiou diretamente as operações de exploração e produção da BP, que registraram um aumento de 45% nos lucros antes de impostos nessa divisão.
Analistas do setor apontam que o cenário geopolítico deve continuar favorecendo as grandes petroleiras no curto prazo. “A BP está bem posicionada para se beneficiar da atual conjuntura, mas a sustentabilidade desses lucros depende de uma eventual estabilização na região”, comentou John Smith, analista sênior da consultoria Energy Insights.
Estratégia de transição energética em meio a lucros elevados
Apesar do forte desempenho nos combustíveis fósseis, a BP manteve seus planos de reduzir a produção de petróleo em 25% até 2030 e investir US$ 8 bilhões em energias renováveis e baixo carbono até 2025. No trimestre, a companhia anunciou a aquisição de uma participação em um parque eólico offshore no Mar do Norte e o início da construção de uma usina de hidrogênio verde na Alemanha.
“Os lucros extraordinários nos permitem financiar nossa transformação sem comprometer o retorno aos acionistas”, destacou Auchincloss. A empresa reafirmou sua meta de ser uma empresa líquida zero até 2050.
Desempenho por segmento e perspectivas
A divisão de produção e operação (upstream) registrou lucro de US$ 3,2 bilhões, um aumento de 60% ano a ano, enquanto a divisão de refino e comercialização (downstream) apresentou lucro de US$ 800 milhões, influenciado por margens mais estreitas no refino. A divisão de gás e energia renovável contribuiu com US$ 400 milhões.
Para o terceiro trimestre, a BP espera que os preços do petróleo permaneçam elevados, mas alertou para possíveis correções caso haja uma trégua no conflito. A empresa projeta uma produção estável no ano, entre 2,3 e 2,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
No acumulado do primeiro semestre, o lucro da BP atingiu US$ 4,1 bilhões, quase o dobro dos US$ 2,2 bilhões do mesmo período de 2025. As ações da empresa subiram 5% na Bolsa de Londres após a divulgação dos resultados.



