A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um suposto 'aulão' de drones organizado pelo Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha, na Zona Norte da cidade. O treinamento, que teria sido anunciado em redes sociais, foi adiado por causa dos ventos fortes, mas já acendeu o alerta das autoridades para a escalada do uso dessa tecnologia por facções criminosas em ataques com explosivos.
Anúncio e adiamento
Uma postagem em redes sociais anunciava o treinamento para o uso de drones com explosivos, voltado para ataques entre facções. O evento, que aconteceria no Complexo da Penha, teria sido cancelado devido às condições climáticas desfavoráveis. A informação foi confirmada por fontes ligadas à investigação, que preferiram não se identificar.
O adiamento não impediu que a Polícia Civil abrisse um procedimento para apurar o caso. A corporação busca identificar os responsáveis pela organização do treinamento e os participantes, além de mapear a logística envolvida.
Uso crescente de drones por facções
O episódio ocorre em meio a um aumento significativo do uso de drones por organizações criminosas no Rio de Janeiro. Nos últimos meses, a polícia registrou diversas ocorrências envolvendo aeronaves não tripuladas, tanto para vigilância quanto para o transporte de materiais ilícitos e, mais recentemente, para o lançamento de explosivos.
Um caso emblemático foi registrado no Morro do Quitungo, também na Zona Norte, onde uma granada foi flagrada ainda presa a um drone durante um voo. A imagem, capturada por moradores e divulgada nas redes sociais, evidencia a periculosidade dessa prática.
Investigação e impacto
A investigação sobre o 'aulão' no Complexo da Penha faz parte de um esforço mais amplo das forças de segurança para combater o uso de tecnologia por facções. Segundo especialistas, o treinamento formalizado indica uma profissionalização do crime, com a capacitação de integrantes para operar drones em operações ofensivas.
O adiamento por causa do vento, embora tenha frustrado os planos do grupo, não reduz a gravidade da situação. As autoridades temem que, uma vez treinados, os criminosos possam executar ataques mais precisos e letais contra facções rivais, aumentando a violência nas comunidades.
Resposta das autoridades
A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre as diligências em andamento, mas afirmou que está monitorando as redes sociais e as comunidades onde há atuação do CV. A corporação também estuda medidas para reprimir o uso de drones por criminosos, como a utilização de equipamentos de interferência de sinal.
Até o momento, nenhum suspeito foi preso ou identificado oficialmente. A polícia pede que a população colabore com informações anônimas pelo Disque-Denúncia.



