Fitch rebaixa rating da CSN para CCC+ e vê dívida acima de R$ 60 bi
Fitch rebaixa CSN a CCC+ e projeta dívida de R$ 60 bi

A Fitch rebaixou o rating de inadimplência do emissor (IDR) de longo prazo em moeda estrangeira e local da CSN de B para CCC+, conforme comunicado divulgado nesta sexta-feira, 31. A agência classificou a decisão como um reflexo da piora da flexibilidade financeira da siderúrgica, que enfrenta queima de caixa contínua mesmo com alguma evolução operacional recente.

Fatores que levaram ao corte

De acordo com a Fitch, o rebaixamento considerou não apenas o fluxo de caixa negativo, mas também as elevadas despesas com juros, os altos investimentos de capital, a estrutura de capital desequilibrada e os riscos persistentes de refinanciamento. A agência decidiu manter o rating em observação negativa, sinalizando que um novo rebaixamento não está descartado no curto prazo.

A nota CCC+ é típica de emissor com vulnerabilidade à inadimplência, dependente de condições externas favoráveis para cumprir suas obrigações. No caso da CSN, a Fitch avalia que a alavancagem se encontra em um patamar insustentável diante da capacidade atual de geração de caixa e do cenário de juros ainda elevados no Brasil. Além disso, a classificação costuma elevar o custo de novas captações e limitar o acesso a fontes de financiamento.

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Dívida projetada acima de R$ 60 bilhões

As estimativas da agência indicam que a dívida total da CSN, pelos critérios da Fitch e excluindo qualquer venda de ativos, deve ultrapassar R$ 60 bilhões em 2026 e 2027. As projeções apontam para índices de dívida/Ebitda e dívida líquida/Ebitda de 5,7 vezes e 4,4 vezes, respectivamente, em 2026, aumentando para 6,3 vezes e 5,1 vezes em 2027.

Esses níveis de endividamento reforçam o diagnóstico de fragilidade financeira. A menos que a companhia consiga reduzir seu passivo via desinvestimentos ou aumento substancial do Ebitda, o risco de refinanciamento deve permanecer elevado. O crescimento da dívida líquida em relação à dívida bruta também indica que a geração de caixa operacional não tem sido suficiente para compensar os juros e os investimentos.

Plano de venda de ativos

A Fitch lembra que a CSN está executando uma série de vendas de ativos com o objetivo de reequilibrar sua estrutura de capital. O cronograma anunciado anteriormente segue sendo cumprido, segundo a agência. Em um cenário hipotético, a venda de 100% da operação de cimento e de 25% dos negócios de infraestrutura poderia levantar cerca de R$ 16,2 bilhões.

Esse montante, de acordo com a Fitch, representaria aproximadamente 28% da dívida total da CSN em 31 de março de 2026. Ou seja, mesmo com a execução bem-sucedida desses desinvestimentos, o endividamento continuaria alto, o que justifica a manutenção da observação negativa. A realização dessas vendas, contudo, não é garantida e está sujeita às condições de mercado.

Nova emissão da CSN Inova Ventures

Também nesta sexta-feira, a CSN comunicou que o conselho de administração aprovou a oferta de troca de títulos de dívida com vencimento em 2028 e juros de 6,750% ao ano, realizadas por meio da controlada CSN Inova Ventures. Os papéis estão em circulação no mercado internacional. A operação já havia sido antecipada pela Broadcast.

A Fitch atribuiu o mesmo rating da controladora à nova emissão, indicando que a avaliação de risco é integrada. A colocação dos títulos ocorre em um momento de acesso restrito ao mercado de capitais, e o sucesso da oferta será um teste para a capacidade da CSN de alongar seu perfil de dívida. A trajetória da companhia dependerá da execução do plano de desinvestimento e das condições de mercado, fatores que permanecem no radar da agência.

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