Deloitte rompe com Ambipar e acusa empresa de fraude
Deloitte rompe com Ambipar e acusa fraude

A Deloitte, uma das maiores auditorias do mundo, rompeu contrato com a Ambipar, gigante brasileira de gestão de resíduos, após identificar indícios de fraudes contábeis. A informação foi divulgada em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na última sexta-feira (14). A empresa, que tem sede em São Paulo, nega as acusações e afirma que abriu uma investigação interna para apurar os fatos.

O que motivou o rompimento?

De acordo com o documento, a Deloitte constatou "inconsistências relevantes" nas demonstrações financeiras da Ambipar referentes ao exercício de 2025. Entre os problemas, estariam registros de receitas não comprovadas e superavaliação de ativos. A auditoria também apontou possíveis irregularidades em contratos com partes relacionadas, o que levantou suspeitas de maquiagem de resultados.

A Deloitte comunicou que não conseguiu concluir os trabalhos de auditoria das demonstrações de 2025, pois não obteve respostas satisfatórias da administração da Ambipar. "Diante da gravidade das situações identificadas, a Deloitte decidiu renunciar à prestação de serviços de auditoria", diz o comunicado.

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Reação da Ambipar

A Ambipar, por sua vez, divulgou nota oficial afirmando que "repudia veementemente as alegações" e que "sempre pautou sua conduta pela ética e transparência". A empresa informou que contratou um escritório de advocacia independente para conduzir uma investigação interna e que está colaborando com as autoridades regulatórias.

O CEO da Ambipar, João Paulo Tavares, declarou: "Confiamos plenamente na integridade de nossos processos e estamos certos de que a verdade será restabelecida. Vamos provar que as acusações são infundadas."

Impacto no mercado

A notícia causou forte reação no mercado financeiro. As ações da Ambipar (AMBP3) despencaram mais de 20% na segunda-feira (17), chegando a ser negociadas a R$ 12,50, após a abertura. A queda reflete a desconfiança dos investidores, que temem possíveis sanções da CVM e até mesmo a necessidade de reestruturação de dívidas.

Analistas do setor avaliam que o rompimento da Deloitte é um sinal de alerta máximo. "Quando uma auditoria renuncia, é porque encontrou algo muito grave. Isso pode levar a um processo de investigação da CVM e, em casos extremos, à recuperação judicial", afirma Carlos Eduardo Silva, analista da XP Investimentos.

Histórico da empresa

A Ambipar é uma empresa de capital aberto desde 2021, especializada em soluções ambientais, como tratamento de resíduos e recuperação de áreas degradadas. Em 2025, a companhia registrou receita de R$ 8,2 bilhões, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. No entanto, desde o início de 2026, as ações acumulam queda de 45%, refletindo já os problemas internos.

Especialistas em governança corporativa destacam que a saída da Deloitte pode dificultar a obtenção de novos créditos e a renovação de contratos com grandes clientes. "A credibilidade é o ativo mais importante de uma empresa auditada. Sem ela, o custo de capital aumenta e as oportunidades de negócio diminuem", explica a professora de finanças da FGV, Marina Costa.

Próximos passos

A Ambipar terá que contratar uma nova auditoria independente para auditar as demonstrações de 2025, sob pena de não conseguir publicar seus resultados dentro do prazo legal. A empresa também pode ser alvo de um processo administrativo na CVM, que pode aplicar multas e outras penalidades.

Enquanto isso, o mercado aguarda os desdobramentos da investigação interna, que deve ser concluída em até 60 dias. A Ambipar prometeu divulgar um balanço completo assim que os trabalhos forem finalizados.

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