Corrida do ouro da IA: construtores de data centers lucram 80%
Corrida do ouro da IA: construtores lucram 80%

No atual ciclo de expansão da inteligência artificial, a maior parte do dinheiro não está indo para as empresas que criam os modelos mais famosos, como OpenAI ou Anthropic, mas sim para aquelas que constroem a infraestrutura física por trás da tecnologia. De acordo com a análise que dá origem a esta reportagem, os construtores de data centers ficam com cerca de 80% de todo o capital movimentado nesse boom tecnológico, enquanto as empresas de software, apesar do enorme apelo midiático, recebem uma parcela bem menor.

A metáfora da pá e da picareta

A expressão “corrida do ouro” é usada há décadas para descrever momentos em que um setor atrai investimentos maciços em busca de um produto valioso. No século XIX, quem realmente enriqueceu nas minas da Califórnia não foram os garimpeiros, mas os comerciantes que vendiam pás, picaretas e outros suprimentos. Hoje, a inteligência artificial repete esse padrão: enquanto o mundo acompanha o lançamento de novos modelos de linguagem e ferramentas generativas, são as empresas que fornecem a base física — terrenos, prédios, sistemas de refrigeração, servidores e chips — que capturam a maior fatia do dinheiro.

Essa leitura é reforçada pelo dado central da publicação: 80% dos recursos envolvidos no atual ciclo de IA são absorvidos por quem constrói os data centers. Isso inclui desde as incorporadoras especializadas em grandes galpões tecnológicos até as fornecedoras de equipamentos elétricos e de climatização, passando pelas construtoras que erguem os edifícios em ritmo acelerado para atender à demanda das gigantes de computação em nuvem.

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Por que os data centers são o centro da disputa

Os data centers são instalações que abrigam milhares de servidores, responsáveis por processar e armazenar as informações que alimentam os sistemas de IA. Treinar um modelo avançado exige uma capacidade computacional imensa, o que se traduz em investimentos bilionários em infraestrutura. Cada novo data center demanda energia elétrica em escala comparável à de uma cidade pequena, além de sistemas sofisticados para evitar o superaquecimento dos equipamentos.

Essa necessidade transformou a construção dessas instalações em um negócio altamente lucrativo. À medida que a corrida da IA se intensifica, as chamadas big techs — como Google, Amazon e Microsoft — disputam espaço para expandir suas capacidades. No entanto, elas dependem de terceiros para erguer as estruturas físicas, e é exatamente aí que mora o lucro para as empresas de construção e engenharia.

O papel dos fabricantes de chips e semicondutores

Embora o artigo original não cite nomes específicos, a fotografia que acompanha a publicação mostra uma fábrica da TSMC, a gigante taiwanesa de semicondutores, em Nanquim, na China. A imagem ilustra como a cadeia de suprimentos da IA vai muito além dos servidores: os chips são peças fundamentais para que os data centers funcionem. Sem eles, nenhum modelo de IA poderia ser treinado ou executado.

Empresas como a TSMC, que fabricam os processadores mais avançados do mundo, também se enquadram na categoria de “pá e picareta” dessa nova corrida do ouro. Elas vendem os insumos essenciais para a revolução da IA, independentemente de quais modelos ou aplicações vão dominar o mercado no futuro. Isso explica por que fabricantes de semicondutores e montadoras de infraestrutura vêm registrando receitas recordes enquanto as empresas de software ainda buscam modelos de negócios sustentáveis.

Impacto para investidores e o mercado

Para investidores, a mensagem é clara: olhar para além das empresas de tecnologia mais visíveis pode ser uma estratégia mais segura e lucrativa. Fundos de investimento têm migrado sua atenção para o setor de infraestrutura de IA, incluindo construtoras, fornecedoras de energia e fabricantes de equipamentos. O dado de que 80% do dinheiro fica com essas companhias sugere que o potencial de retorno nessa área é muito maior do que o visto nas próprias desenvolvedoras de modelos.

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Especialistas apontam que essa tendência deve se manter nos próximos anos, pois a demanda por capacidade computacional continua crescendo. A construção de um único data center de grande porte pode custar bilhões de dólares e levar anos para ser concluída, o que garante um fluxo de receita estável para as empresas envolvidas. Enquanto isso, as empresas de IA, como OpenAI e Anthropic, mesmo avaliadas em dezenas de bilhões de dólares, ainda apresentam prejuízos operacionais e dependem de constantes injeções de capital externo.

O que esperar do futuro da infraestrutura de IA

A tendência é que a disputa por data centers se torne ainda mais acirrada. Grandes grupos de construção já anunciam expansões de seus portfólios para atender à demanda crescente, e novos fornecedores de energia estão se posicionando para lucrar com o consumo elétrico dessas instalações. Algumas regiões, especialmente nos Estados Unidos, já enfrentam restrições de energia para a construção de novos centros, o que cria oportunidades para empresas de energia renovável.

No Brasil, o setor também começa a despertar interesse. O país tem vantagens como a matriz energética majoritariamente renovável e a localização estratégica para atender à América Latina. Ainda que o artigo original não mencione diretamente o cenário nacional, é possível inferir que a construção de data centers pode se tornar um vetor relevante de investimento, beneficiando construtoras locais e fornecedores de infraestrutura.

Em resumo, a corrida do ouro da IA tem vencedores claros: não são os criadores dos modelos mais famosos, mas sim as empresas que fornecem as ferramentas e a estrutura física para que essa tecnologia exista. Com 80% do dinheiro concentrado nas mãos desses “vendedores de pás e picaretas”, o mercado de infraestrutura se consolida como o grande beneficiário do boom tecnológico atual.