As indústrias brasileiras de calçados e têxtil projetam uma queda significativa nas exportações para os Estados Unidos em 2026, após o anúncio de novas tarifas de importação pelo governo americano. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) estima uma redução de até 30% nas vendas para o mercado norte-americano, enquanto a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) prevê uma queda de 25% nos embarques do setor.
Impacto das tarifas nas exportações de calçados
De acordo com a Abicalçados, as exportações de calçados para os EUA devem cair de US$ 1,2 bilhão em 2025 para cerca de US$ 840 milhões em 2026, uma redução de 30%. O presidente da entidade, Haroldo Ferreira, afirmou que a medida é um duro golpe para o setor, que já enfrenta desafios com a concorrência asiática. “Os Estados Unidos são nosso principal mercado externo, e essa tarifa torna nossos produtos menos competitivos”, disse Ferreira. O setor emprega diretamente cerca de 300 mil trabalhadores no Brasil, e a expectativa é de que haja cortes de postos de trabalho caso a situação não se reverta.
Setor têxtil também sente os efeitos
A Abit projeta que as exportações de têxteis e confecções para os EUA caiam de US$ 800 milhões para US$ 600 milhões em 2026, uma queda de 25%. Para o presidente da Abit, Fernando Pimentel, as tarifas americanas são uma barreira comercial injusta. “O Brasil não é um concorrente desleal; somos parceiros comerciais. Essa medida prejudica ambos os lados, inclusive o consumidor americano, que pagará mais caro por produtos de qualidade”, afirmou Pimentel. O setor têxtil brasileiro emprega 1,5 milhão de pessoas, e a redução nas exportações pode levar a demissões e fechamento de fábricas.
Reação do governo brasileiro
O Ministério da Economia informou que está avaliando as medidas e pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso considere as tarifas ilegais. O governo também estuda a possibilidade de retaliar com tarifas sobre produtos americanos, como forma de pressionar os EUA a reverter a decisão. Enquanto isso, as indústrias buscam diversificar mercados, como a União Europeia e a América Latina, para minimizar os danos.
Perspectivas para o futuro
Analistas do setor avaliam que, se as tarifas se mantiverem, as exportações brasileiras de calçados e têxteis para os EUA podem demorar anos para se recuperar. A competitividade dos produtos brasileiros já era afetada por custos logísticos e tributários internos; com as tarifas, a situação se agrava. As entidades representativas pedem ao governo brasileiro que negocie com os EUA um acordo bilateral que reduza as barreiras tarifárias e proteja os empregos no país.



