Áudios revelam agente da PB explicando desvio de drogas em esquema criminoso
Áudios mostram agente explicando desvio de drogas na PB

Áudios de um inquérito da Polícia Civil da Paraíba revelam a atuação de agentes públicos em um esquema de desvio de drogas da corporação. As gravações, obtidas pelo g1, mostram o agente Everton Aires, conhecido como "Bomba", explicando os tipos de entorpecentes subtraídos para o também investigado João Wicttor Alves de Lima.

Diálogo revela detalhes do desvio

Na conversa, ocorrida no dia 12 de setembro de 2025, às 14h13, poucas horas após o grupo invadir um apartamento no bairro João Paulo II, em João Pessoa, para subtrair drogas, Everton Aires descreve o material separado: "Foi uma lapada que rodou muita flor, floripa, natural, e no meio tinha esse material... aí eu separei (...) Pô, essa parte todinha de natural, essa parte floripa, essa parte toda aí eu deixei com o meu menino ali. Aí meio quilo de pó... e o pó é bom, visse? E o haxixe eu deixei separado, pra deixar contigo. Porque eu sei que o menino já é mais forte nisso aí. Tá lá em casa", disse.

Indiciamentos e prisões

O delegado Braz Morroni e os agentes Everton Aires e Eduardo Jorge ("Mão Branca") foram indiciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Eles estão presos temporariamente desde a Operação Perfídus, deflagrada em junho. A defesa de Everton Aires disse não ter conhecimento sobre a conclusão do inquérito. A defesa de Eduardo Jorge declarou que "até aqui" não consegue se "pronunciar sobre o conteúdo de possível pedido de prisão, desejando apenas que possamos ter um processo democrático, justo e honesto". O g1 procurou a defesa de Braz Morroni, mas não houve resposta.

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Drogas desviadas e valor milionário

Segundo a investigação, cerca de 60 kg de drogas estavam no imóvel invadido, mas apenas 3 kg foram oficialmente apresentados na delegacia. A diferença corresponde a um valor de mercado estimado em R$ 2,1 milhões. O crime de falsificação de documento público está relacionado ao boletim de ocorrência registrado três dias após a ação, que apresentou informações incompatíveis com o encontrado no apartamento.

Abuso de autoridade e fraude processual

O indiciamento por abuso de autoridade baseia-se na conclusão de que os policiais entraram no imóvel sem autorização do morador, sem decisão judicial e sem situação de flagrante. Para a Polícia Civil, os investigados usaram a função pública para dar aparência de legalidade à ação. A fraude processual ocorreu porque apenas parte das drogas foi encaminhada para a perícia, alterando o conjunto de provas.

Investigações em andamento

A Polícia Civil informou que as suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico são investigadas em outro inquérito, separado para evitar tumulto processual. O delegado e os demais investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de tráfico, corrupção e vazamento de informações sigilosas, cumprindo nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, com bloqueio de cerca de R$ 10 milhões.

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