Bancos levantam R$ 10,5 bi em letras financeiras; estoque chega a R$ 1 tri
Bancos levantam R$ 10,5 bi em letras financeiras; estoque a R$ 1 tri

Os bancos emitiram bilhões em letras financeiras (LFs) nas últimas semanas, um título de renda fixa usado para captar recursos. Com forte demanda, nomes como Santander, Banco Stellantis, Nubank e Mercado Crédito (banco do Mercado Livre) levantaram R$ 10,5 bilhões. Novas operações, sobretudo de bancos de montadoras, estão para sair nas próximas semanas, de acordo com fontes.

Demanda supera oferta em emissões recentes

Na emissão do Mercado Crédito, de R$ 1,5 bilhão, a demanda foi mais que o dobro da oferta, chegando a R$ 3,3 bilhões. No Daycoval, que fez na semana passada sua maior captação de letras financeiras, de R$ 2,5 bilhões, os pedidos para o papel superaram R$ 6 bilhões.

Ainda nas ofertas recentes, o Nubank emitiu R$ 1,59 bilhão em junho, e os pedidos bateram em R$ 3 bilhões. Já a Stellantis Financiamentos levantou R$ 2,2 bilhões em letras, a maior captação já feita por esse instrumento pelo banco da montadora.

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Estoque na B3 atinge R$ 1 trilhão

Na B3, o estoque de letras financeiras chegou à marca de R$ 1 trilhão ao final do primeiro semestre, alta de 19% na comparação anual. Com a expansão do mercado, a bolsa lançou nessa semana seu primeiro índice com foco no desempenho das letras financeiras.

Papéis são vistos com mais segurança

O risco menor dos bancos que costumam emitir esses papéis, comparado ao de empresas, com muitas enfrentando problemas financeiros, é um dos fatores que ajudam a atrair demanda para as letras, vinda principalmente de grandes investidores, como gestoras de recursos.

“Voltaram a ter emissões de letras financeiras pelos bancos, que estão ajudando na retomada do mercado de dívida como um todo”, afirma o diretor da área de emissão de dívida (DCM, na sigla em inglês) do Daycoval, Renato Otranto. “O investidor gosta do risco bancário. Tem tido demanda grande.”

O executivo ressalta que 2026 começou bem nas captações de renda fixa, mas o mercado passou por um período de estresse a partir de março, por conta dos problemas de crédito de algumas grandes empresas, como a Raízen, o que fez as emissões de títulos como debêntures esfriarem. Mais recentemente, a partir de final de junho, começou um período de maior estabilidade nesse mercado, destaca o executivo do Daycoval.

Investidor não quer surpresas

A demanda pelas letras financeiras mostra que o investidor não está nesse momento disposto a ter surpresas no crédito privado e para isso prefere ter uma remuneração menor do que haveria em outros papéis, diz o sócio da Sparta, Ulisses Nhemi. “A remuneração não é um espetáculo, mas é um título seguro”, afirma.

“A forte demanda e as condições obtidas demonstram a confiança dos investidores na solidez do Mercado Crédito”, afirma em nota o diretor sênior de tesouraria do Mercado Livre e Mercado Pago no Brasil, Lourenço Cassandre. Com a demanda alta, o custo de captação caiu, ressalta o executivo.

As letras financeiras devem representar uma parcela cada vez maior da captação no setor financeiro, afirmam os analistas da agência de classificação de riscos Fitch, em relatório recente. A avaliação é de que o instrumento favorece prazos mais longos, diversifica passivos e amplia acesso a investidores institucionais. Para a agência e classificação de riscos, o aperto recente nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após o rombo deixado pela liquidação do Master, também deve impulsionar a emissão de LFs.

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