IA exige redesenho de negócios, diz Silvio Meira
IA exige redesenho de negócios, diz Silvio Meira

Silvio Meira, um dos criadores do Porto Digital, alerta que as empresas precisam redesenhar seus negócios para extrair valor real da inteligência artificial (IA). Em sua avaliação, os ganhos de produtividade não são suficientes: é necessário transformar processos, arquitetura organizacional e o papel das pessoas para que a tecnologia produza um impacto transformacional.

O alerta do especialista

Durante o Prêmio Valor Inovação 2026, Meira, que também é cientista-chefe da Tds Company, conversou com a editora-chefe da Época Negócios, Elisa Campos. Ele enfatizou que a mera adoção de ferramentas de IA sem uma reestruturação mais profunda tende a gerar apenas melhorias incrementais, não a verdadeira disrupção que a tecnologia pode proporcionar.

“A produtividade é o primeiro passo, mas não é o destino final. As empresas que realmente vão se destacar são aquelas que repensam como trabalham, como se organizam e como as pessoas interagem com a máquina”, afirmou Meira, segundo registro do evento.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Por que a mudança é necessária?

O especialista argumenta que a IA não deve ser vista apenas como uma ferramenta para automatizar tarefas existentes, mas como um catalisador para reinventar modelos de negócio. Isso implica revisar desde a estrutura hierárquica até os fluxos de decisão, passando pela capacitação dos colaboradores para atuarem em um ambiente cada vez mais orientado por dados.

“A arquitetura organizacional precisa evoluir para que a IA seja incorporada de forma sistêmica, não como uma ilha de inovação. Isso exige uma liderança disposta a questionar premissas e a investir em novas competências”, completou.

Impacto no mercado brasileiro

O posicionamento de Meira chega em um momento em que o Brasil discute os rumos da transformação digital. Pesquisas recentes indicam que apenas uma minoria das empresas brasileiras conseguiu escalar projetos de IA para além de pilotos, o que reforça a necessidade de uma abordagem mais ampla.

Para o especialista, o desafio não é tecnológico, mas gerencial. “A tecnologia está disponível. O que falta é uma visão estratégica que integre a IA ao core do negócio”, disse.

O que as empresas devem fazer?

Meira sugere um caminho prático: começar por mapear os processos críticos, identificar onde a IA pode gerar maior valor e, então, redesenhar a estrutura organizacional para suportar a nova dinâmica. Ele também recomenda que as empresas invistam em programas de capacitação contínua, preparando os times para trabalhar lado a lado com sistemas inteligentes.

“Não se trata de substituir pessoas, mas de potencializá-las. A IA libera os profissionais para atividades mais estratégicas e criativas, desde que a organização esteja pronta para isso”, concluiu.

O evento, que reúne líderes empresariais e especialistas em inovação, reforça a urgência de um debate mais profundo sobre o papel da IA no futuro dos negócios no país.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar