O Assaí Atacadista, uma das maiores redes de atacarejo do Brasil, deu um passo ousado ao inaugurar farmácias em 10 de suas lojas, com a venda de canetas emagrecedoras como Ozempic e Wegovy, e projeta atingir 250 unidades até o final de 2026. A iniciativa, anunciada nesta terça-feira (15), marca a entrada do grupo no setor farmacêutico, um movimento estratégico para capturar a crescente demanda por medicamentos para perda de peso e diabetes.
Expansão rápida e foco em medicamentos de alto valor
As primeiras farmácias foram abertas em lojas selecionadas nas regiões Sudeste e Nordeste, incluindo unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. O Assaí planeja expandir rapidamente: até o fim de 2026, a meta é ter 250 farmácias operacionais, o que representaria cerca de 30% de suas lojas atuais. A rede tem 880 lojas no Brasil. Segundo a empresa, a escolha dos pontos levou em conta o perfil dos clientes e a demanda por medicamentos controlados e de alto valor agregado.
O destaque do novo serviço são as canetas emagrecedoras, como Ozempic (semaglutida) e Wegovy, que têm se tornado febre no Brasil e no mundo. O Assaí afirma que a venda será feita mediante prescrição médica, seguindo todas as regulamentações da Anvisa. “Estamos atendendo uma necessidade real dos nossos clientes, que buscam conveniência e preços competitivos para medicamentos que muitas vezes são caros”, disse Carlos Alberto Santos, diretor de operações do Assaí, em comunicado.
Impacto no mercado e concorrência
A entrada do Assaí no ramo farmacêutico pode pressionar as margens de redes tradicionais, como Raia Drogasil e Pague Menos, que já enfrentam concorrência de supermercados e atacarejos. O movimento também reflete a tendência de diversificação dos atacarejos, que buscam aumentar o ticket médio e a frequência de visitas. As farmácias do Assaí operarão em parceria com a rede de distribuição farmacêutica Profarma, que garantirá o abastecimento e a gestão de estoques.
O Assaí não revelou o investimento total, mas estima-se que cada farmácia custe entre R$ 200 mil e R$ 300 mil para ser implantada, totalizando até R$ 75 milhões para as 250 unidades. A empresa espera que o segmento farmacêutico represente até 5% do faturamento total da rede em três anos. Em 2025, o Assaí registrou receita líquida de R$ 72 bilhões.
Canetas emagrecedoras: mercado em alta
As canetas emagrecedoras, originalmente desenvolvidas para diabetes tipo 2, tornaram-se um fenômeno de consumo, com vendas crescendo mais de 200% no Brasil em 2025, segundo a IQVIA. O Ozempic, fabricado pela Novo Nordisk, lidera o mercado, mas a alta demanda tem gerado escassez em algumas regiões. O Assaí afirma que já garantiu estoques regulares por meio de contratos com distribuidores. “Não vamos depender de importação direta; usaremos canais oficiais para evitar desabastecimento”, explicou Santos.
A venda em atacarejos, no entanto, levanta preocupações sobre o uso indiscriminado. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) alertou que esses medicamentos devem ser prescritos com critério, devido a efeitos colaterais como náuseas e risco de pancreatite. O Assaí afirma que treinará farmacêuticos para orientar os clientes e exigir receita.
Estratégia de conveniência e preço
Além das canetas emagrecedoras, as farmácias do Assaí oferecerão medicamentos genéricos e de marca, com descontos de até 30% em relação ao preço de varejo tradicional. A rede aposta no modelo de autosserviço, com prateleiras abertas e checkout integrado ao caixa do atacarejo. “O cliente faz as compras do mês e já leva os remédios, sem fila extra”, destacou o diretor.
A iniciativa também inclui um programa de fidelidade, que acumula pontos para descontos em medicamentos. O Assaí planeja lançar um aplicativo específico para a farmácia, com agendamento de retirada e lembretes de reposição. A expectativa é que as farmácias atraiam não apenas clientes tradicionais do atacarejo, mas também novos consumidores, especialmente idosos e pessoas com doenças crônicas.
O movimento do Assaí ocorre em meio à consolidação do setor farmacêutico no Brasil, com grandes redes ampliando presença em bairros e cidades menores. A entrada de um player com forte capilaridade logística pode acelerar a queda de preços e aumentar o acesso a medicamentos de alto custo. No entanto, analistas alertam para o risco de canibalização das vendas de outros itens, já que a farmácia ocupa espaço que poderia ser usado para produtos de maior margem, como eletrônicos.
O Assaí informou que as farmácias serão abertas gradualmente, com prioridade para lojas com maior fluxo de clientes. A empresa não descarta parcerias com laboratórios para oferecer descontos exclusivos. “Queremos ser referência em saúde e bem-estar, não apenas em abastecimento”, concluiu Santos.



