Ações da Camil despencam 14,66% após resultados fracos no 1T26
Camil despenca 14,66% após resultados fracos no 1T26

A Camil Alimentos (CAML3) reportou resultados fracos no primeiro trimestre de 2026, ainda que dentro das expectativas do mercado. As ações abriram o dia em queda profunda e mantiveram a baixa durante toda a sessão desta quarta-feira (15). Por volta das 13h10 (horário de Brasília), os papéis despencavam 14,66%, negociados a R$ 4,61. Na mínima do dia, chegaram a R$ 4,56.

Desempenho financeiro decepciona

Para o Bradesco BBI, o ano de 2026 está mais desafiador do que o esperado, e os resultados do primeiro trimestre da Camil reforçaram essa percepção. A operação internacional da companhia foi a principal decepção do trimestre, segundo os analistas. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 48% em relação ao ano anterior, para R$ 36 milhões. Mesmo com o crescimento de 26% no volume vendido, os preços realizados caíram 32%, reduzindo a receita em 15% na comparação anual.

De acordo com o Bradesco BBI, o ambiente de preços baixos pode persistir até que haja maior visibilidade sobre uma oferta mais restrita na safra 2026-2027. Ao mesmo tempo, os juros no Brasil provavelmente permanecerão mais altos do que o previsto pelo banco, o que pode limitar a geração de fluxo de caixa livre (FCF). Dentro da cobertura do banco, a Camil é a companhia com o lucro mais sensível à queda dos juros.

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Resultados no Brasil mostram melhora

Apesar dos resultados fracos, o balanço da companhia no Brasil teve alguma melhora. O Ebitda ajustado no país alcançou R$ 164 milhões, um crescimento de 2% na comparação anual, com margem de 8,1% — queda de 20 pontos-base em relação ao ano anterior. A receita líquida de R$ 2 bilhões representou crescimento de 5% na comparação anual, sustentada por forte alta de 14% no volume de vendas. Além disso, a queda de 8% nos preços realizados foi melhor do que o mercado esperava, de acordo com o Bradesco BBI.

Para o Itaú BBA, ainda existe valor a ser destravado na tese de investimento da Camil no longo prazo. A margem bruta no Brasil chamou atenção positivamente, embora os analistas ainda acreditem que seja necessário avaliar se esse desempenho será recorrente. Futuramente, o BBA vê um possível catalisador surgindo com a mudança nas expectativas para os preços do arroz diante dos sinais de um evento de El Niño mais intenso.

Perspectivas e desafios

De acordo com o Itaú BBA, o ambiente de juros elevados e de alto custo de oportunidade tende a limitar o interesse dos investidores institucionais. Até que a alavancagem diminua e a geração de caixa apresente melhora mais consistente, a companhia deve permanecer como está. Os analistas do banco destacam que a Camil precisa mostrar recuperação sustentável para atrair novamente o mercado.

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