Job hopping: por que brasileiros trocam de emprego com mais frequência
Job hopping: por que brasileiros trocam mais de emprego

Uma pesquisa da consultoria Michael Page revela que 44% dos brasileiros estão em busca ativa de uma nova oportunidade de trabalho, enquanto 39% consideram deixar o emprego atual. O fenômeno, conhecido como job hopping, é cada vez mais comum, especialmente entre os jovens, que trocam de emprego com frequência em busca de salários melhores, desenvolvimento profissional e flexibilidade.

Números da rotatividade no Brasil

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que a rotatividade é maior entre os mais jovens. Na faixa de 18 a 24 anos, 38,2% deixam o trabalho antes de completar um ano. Entre 25 e 29 anos, o percentual é de 25,3%, e entre adolescentes de 14 a 17 anos, mais da metade (52%) pede demissão nesse período.

O levantamento aponta que baixos salários, longas jornadas e poucas oportunidades de crescimento profissional são os principais motivos. Diante da falta de investimento em suas carreiras, muitos jovens optam por buscar empregos semelhantes, mas com alguma vantagem adicional.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O que dizem os especialistas

Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page Brasil, explica que a alta rotatividade tem causas variadas. "Em parte, é uma decisão voluntária dos profissionais; em parte, reflete demissões ligadas ao cenário econômico", afirma. Ele ressalta que funções operacionais e de entrada sempre tiveram maior rotatividade, enquanto executivos de alta liderança tendem a permanecer mais tempo nas empresas.

Para a pesquisadora Maira Blasi, especialista em futuro do trabalho, a estabilidade perdeu espaço para outros valores. "À medida que os brasileiros se tornam mais escolarizados e que a informação mundial circula livremente, a população acessa outros referenciais no mundo", diz. Ela também observa que as empresas já não oferecem a mesma estabilidade de antes, com demissões em massa e contratações como pessoa jurídica.

Diversidade e inclusão como atrativos

Outro fator que leva à troca de emprego é a busca por ambientes mais inclusivos. A maior visibilidade de temas como neurodiversidade e diversidade de gênero faz com que profissionais questionem o ambiente tradicional. Empresas que oferecem flexibilidade e políticas de diversidade tornam-se mais atraentes.

Blasi destaca que, após a pandemia, a vida fora do trabalho ganhou importância. "Se uma empresa não fala de diversidade, eu vou testar outra. Se aqui eu não posso cuidar do meu filho, vou tentar em outra", resume. A insatisfação com lideranças também pesa, pois ambientes tóxicos afetam a vida pessoal.

Histórias reais de job hopping

A arquiteta Clara Martinez, formada há seis anos, já trabalhou em quatro empresas. Na última troca, deixou um emprego estável sem perspectivas de crescimento para ingressar em uma empresa maior, mantendo o salário e abrindo mão do home office. "Eu não fugi de um ambiente ruim. Eu fugi da estagnação", conta.

Ana Zampolo, especialista em educação corporativa, passou por cinco empresas em seis anos e abriu e fechou o próprio negócio. Ela migrou da logística para a área organizacional e aceitou ganhar menos em alguns momentos para se aproximar do que desejava. "Eu não busco estabilidade. Eu busco realização, propósito", afirma.

O que pensam os recrutadores

Nem Martinez nem Zampolo foram questionadas sobre as mudanças frequentes. Pelo contrário, Martinez recebeu feedback positivo: "Nunca estou parada". Especialistas alertam que o contexto das mudanças é determinante. Para Oggiam, no início da carreira é natural buscar mudanças mais rápidas, mas executivos tendem a ter trajetórias mais longas.

Não há um período ideal de permanência, mas Blasi recomenda ficar pelo menos um ano em cada organização, tempo suficiente para entregar resultados e saber explicar o impacto do trabalho.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar