As taxas longas do Tesouro IPCA+ registraram alta expressiva nesta quarta-feira (15), repercutindo a pesquisa eleitoral Genial/Quaest divulgada no mesmo dia. O levantamento apontou que o presidente Lula (PT) tem 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, abrindo uma vantagem de oito pontos percentuais. O resultado gerou movimento de aversão ao risco nos mercados, elevando os prêmios dos títulos públicos atrelados à inflação.
Impacto nos títulos públicos
Os papéis do Tesouro IPCA+ com vencimentos mais longos, como 2035 e 2045, foram os mais afetados. A taxa do IPCA+ 2035 saltou de 6,12% para 6,32% ao ano, enquanto o IPCA+ 2045 subiu de 6,25% para 6,48% ao ano. A alta reflete a percepção de que a vantagem de Lula nas pesquisas pode sinalizar continuidade da política fiscal expansionista, o que pressiona as expectativas de inflação e, consequentemente, os juros reais.
Reação do mercado
O movimento de alta das taxas ocorreu em meio à queda do Ibovespa, que perdeu os 176 mil pontos, e à desvalorização do real frente ao dólar. Segundo analistas, a pesquisa eleitoral reforçou incertezas sobre o rumo da política econômica, especialmente no que diz respeito ao controle de gastos públicos. "O mercado reage negativamente à possibilidade de um governo Lula mais intervencionista, o que eleva o prêmio de risco e empurra as taxas para cima", afirmou um gestor de renda fixa ouvido pela reportagem.
Contexto eleitoral
A pesquisa Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.000 eleitores presencialmente entre 11 e 14 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Além do cenário para presidente, o levantamento também mostrou que 51% dos entrevistados consideram que Lula não merece mais quatro anos de mandato, indicando um ambiente político polarizado.
Especialistas destacam que a trajetória das taxas longas do Tesouro IPCA+ continuará sensível às notícias eleitorais. "A pesquisa de hoje confirma que a eleição está longe de ser decidida, mas a vantagem de Lula no segundo turno já é suficiente para mexer com os mercados", comentou um economista-chefe de uma corretora.



