Taxas futuras sobem com Treasuries e varejo forte
As taxas dos contratos futuros de juros no Brasil fecharam em alta nesta quinta-feira, 16 de julho, refletindo a pressão externa do avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) e a divulgação de dados de vendas no varejo brasileiro acima do esperado. O movimento foi generalizado ao longo da curva, com maior intensidade nos vencimentos mais longos.
Dados de varejo surpreendem e pressionam juros
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo cresceram 1,2% em maio na comparação com abril, bem acima da mediana das expectativas do mercado, que era de alta de 0,5%. O resultado reforçou a percepção de que a economia doméstica segue aquecida, o que pode dificultar o trabalho do Banco Central no combate à inflação. Segundo o economista-chefe de uma corretora, “o dado de varejo veio muito forte e mostra que a demanda continua robusta, o que pode levar o Copom a manter a taxa Selic elevada por mais tempo”.
Treasuries sobem com dados de emprego nos EUA
No cenário externo, os rendimentos dos Treasuries avançaram após a divulgação de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos abaixo do esperado, sinalizando um mercado de trabalho aquecido. O rendimento da T-note de 10 anos subiu 6 pontos-base, para 4,28%, influenciando diretamente os juros futuros brasileiros. A alta dos Treasuries reduz o apetite por ativos de risco de países emergentes, como o Brasil, e pressiona as taxas locais.
Impacto na curva de juros
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 fechou com taxa de 13,84%, ante 13,72% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2029 subiu de 13,65% para 13,80%. No longo prazo, o DI para janeiro de 2031 avançou de 13,52% para 13,70%. A inclinação da curva aumentou, com os prêmios de risco se elevando nos vértices mais longos, refletindo incertezas fiscais e o cenário internacional.
Mercado monitora fiscal e Copom
Além dos fatores externos e do varejo, o mercado segue atento ao cenário fiscal brasileiro. A tramitação de pautas econômicas no Congresso e a trajetória da dívida pública continuam no radar dos investidores. O relatório Focus divulgado nesta semana mostrou que a mediana das expectativas para a Selic no fim de 2026 permanece em 13,75%, mas há sinais de que alguns agentes começam a precificar uma eventual alta. “A combinação de atividade forte e juros externos elevados mantém a pressão sobre os juros futuros”, avaliou um estrategista de renda fixa.
Próximos passos
Os investidores aguardam agora a divulgação de novos dados de inflação no Brasil e nos EUA, além de declarações de membros do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro. Qualquer sinalização sobre o ritmo de aperto monetário pode provocar novos ajustes na curva de juros. O mercado também acompanha o leilão de títulos públicos da próxima semana, que pode dar pistas sobre a demanda por papéis brasileiros.



