Bitcoin recua a US$ 63.656 ante fase de consolidação
Bitcoin recua a US$ 63.656 em consolidação

O Bitcoin recuou para US$ 63.656 nesta quarta-feira, em meio a uma fase de consolidação de preços que tem caracterizado o mercado de criptomoedas nas últimas semanas. A queda reflete a falta de um catalisador claro para novos ganhos, enquanto investidores aguardam sinais macroeconômicos e regulatórios.

Contexto do movimento

Nas últimas 24 horas, o Bitcoin oscilou entre US$ 63.000 e US$ 64.500, mostrando uma volatilidade contida. O movimento de baixa ocorre após uma alta de aproximadamente 12% no mês de julho, que levou o ativo a testar a resistência de US$ 68.000. Agora, o mercado parece respirar, com traders realizando lucros e reposicionando suas carteiras.

De acordo com analistas da plataforma de análise Chainalysis, a consolidação é saudável após um período de valorização acentuada. "O Bitcoin precisa de um período de digestão para consolidar os ganhos recentes. Isso é normal em ciclos de alta", afirmou o analista-chefe da corretora Mercado Bitcoin, em entrevista à Reuters.

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Impacto no mercado

A queda do Bitcoin também influenciou outras criptomoedas. O Ethereum caiu 2,5%, sendo negociado a US$ 3.200, enquanto a Binance Coin recuou 1,8%. O volume total de negociações no mercado cripto diminuiu 15% nas últimas 24 horas, totalizando US$ 45 bilhões, segundo dados da CoinGecko.

Especialistas apontam que o suporte em US$ 62.000 é crucial para evitar uma correção mais profunda. "Se o Bitcoin perder esse nível, podemos ver uma queda até US$ 58.000. Mas, se mantiver, há chances de retomar a alta em direção a US$ 70.000", disse o estrategista de criptomoedas do BTG Pactual, em nota a clientes.

Fatores externos

O cenário macroeconômico também pesa. A expectativa pela decisão de juros do Federal Reserve (Fed) na próxima semana tem deixado investidores cautelosos. Dados de inflação nos Estados Unidos mostraram uma leve aceleração, o que pode levar o banco central a manter a política monetária contracionista por mais tempo.

Além disso, a aprovação de ETFs de Bitcoin à vista nos EUA, ocorrida em janeiro, trouxe maior participação institucional, mas também maior correlação com os mercados tradicionais. "A correlação com o S&P 500 aumentou para 0,6 nos últimos meses, o que significa que o Bitcoin é mais sensível a mudanças no apetite por risco", explicou a analista da XP Investimentos.

Perspectivas

Apesar da queda, a maioria dos analistas mantém uma visão positiva para o médio prazo. O halving, evento que reduz pela metade a recompensa por bloco minerado, está previsto para abril de 2024 e historicamente antecede um ciclo de alta. "A consolidação atual pode ser a calmaria antes da tempestade. O halving deve ser o próximo grande gatilho", afirmou o CEO da gestora Hashdex.

No Brasil, o interesse por criptomoedas continua crescendo. Dados da Receita Federal mostram que o número de declarações de criptoativos aumentou 30% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. "O investidor brasileiro está cada vez mais profissional, usando a queda como oportunidade de compra", comentou o especialista em blockchain da FGV.

Recomendações

Analistas recomendam cautela aos investidores de curto prazo, mas veem oportunidades para quem tem horizonte de longo prazo. "A volatilidade é inerente ao mercado cripto. Estratégias de dollar-cost averaging (investir valores fixos periodicamente) podem suavizar os riscos", sugeriu o planejador financeiro da Easynvest.

O Bitcoin encerrou o dia com queda de 1,2%, acumulando uma desvalorização de 3% na semana. No ano, porém, o ativo ainda sobe 55%, impulsionado pela aprovação dos ETFs e pela expectativa do halving.

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