A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) classificou como política a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiros, e afirmou que o Brasil sai como um dos maiores perdedores nessa guerra comercial. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a entidade criticou a falta de reciprocidade e o impacto negativo sobre a economia nacional.
Tarifaço tem motivação eleitoral, diz AEB
Segundo a AEB, o aumento das tarifas não se justifica por razões econômicas ou de segurança nacional, mas sim por interesses políticos internos dos EUA. “O tarifaço é claramente político e visa atender à base eleitoral do presidente americano em ano de eleições”, afirmou o presidente da AEB, José Augusto de Castro. Ele destacou que o Brasil sempre foi um parceiro leal e que a medida prejudica a relação bilateral.
Brasil é um dos maiores perdedores
A entidade calcula que as exportações brasileiras de aço e alumínio para os EUA somaram US$ 3,2 bilhões em 2025, e que as novas tarifas podem reduzir esse valor em até 40%. “O Brasil será um dos países mais afetados, perdendo mercado e competitividade”, alerta Castro. A AEB ressalta que o país não tem instrumentos para retaliar à altura, o que agrava a situação.
Impacto na indústria e no emprego
A associação também aponta que a medida americana deve gerar desemprego no setor siderúrgico brasileiro e afetar toda a cadeia produtiva. Estima-se que cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos estejam em risco. “Precisamos de uma ação diplomática forte para reverter esse quadro”, defende Castro. A AEB sugere que o governo brasileiro busque negociações com os EUA e, ao mesmo tempo, diversifique seus mercados de exportação.
Reação do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores informou que está acompanhando o caso e que já iniciou contatos com autoridades americanas. A expectativa é que uma missão comercial seja enviada a Washington nas próximas semanas. No entanto, a AEB avalia que o governo precisa agir com mais rapidez e firmeza. “Não podemos ficar passivos diante de uma decisão tão danosa”, conclui Castro.



