O Banco de Brasília (BRB) registrou uma queda expressiva de 793 mil clientes em nove meses, na esteira do caso Master. A base de clientes caiu de 5 milhões para 4,2 milhões, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira. A instituição atribui a redução à saída de contas digitais abertas durante a pandemia.
Impacto do caso Master na base de clientes
O caso Master, que envolveu a Master Corretora e a Master Administradora de Valores, gerou desconfiança no mercado e afetou diretamente o BRB, que tinha parceria com a corretora para operações de crédito consignado. A crise abalou a imagem do banco, levando muitos clientes a encerrarem suas contas.
Segundo o balanço, o BRB encerrou o primeiro semestre com 4,2 milhões de clientes, ante 5 milhões no fim de 2025. A perda de 793 mil clientes representa uma queda de aproximadamente 15,9% no período. O banco informou que a maioria das saídas ocorreu em contas digitais, que foram abertas em grande volume durante a pandemia e não apresentavam relacionamento ativo.
Estratégia do BRB para reverter o quadro
Em comunicado, o BRB afirmou que está focado em recuperar a confiança dos clientes e em fortalecer sua base de relacionamento. O banco destacou que está investindo em tecnologia e em novos produtos para atrair e reter clientes. "Estamos trabalhando para oferecer um atendimento cada vez melhor e soluções que atendam às necessidades dos nossos clientes", disse o presidente do banco, em nota.
Analistas do setor financeiro apontam que a perda de clientes pode impactar a receita do banco, mas ressaltam que a base remanescente é mais qualificada, com maior potencial de geração de negócios. "A saída de contas inativas pode até ser positiva no longo prazo, pois reduz custos operacionais", avaliou um especialista ouvido pelo Valor.
Desdobramentos do caso Master
O caso Master veio à tona em abril, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) suspendeu as atividades da corretora por suspeitas de fraude contábil. O BRB, que tinha acordo para intermediação de consignados, foi citado em relatórios e precisou esclarecer sua relação com a empresa.
O banco informou que não tinha exposição de crédito na corretora e que suas operações eram limitadas à prestação de serviços. Ainda assim, a crise gerou repercussão negativa e levou à saída de clientes. O BRB também enfrenta ações judiciais e investigações, que podem gerar novos impactos.
Perspectivas para o segundo semestre
O BRB projeta uma recuperação gradual da base de clientes, com foco em segmentos como consignado para servidores públicos e microcrédito. O banco também planeja ampliar sua atuação digital, com novos aplicativos e parcerias.
No primeiro semestre, o BRB registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, alta de 8% na comparação anual, apesar da queda no número de clientes. O banco atribui o resultado ao crescimento das receitas de serviços e à gestão de custos.
Especialistas recomendam cautela, mas veem espaço para o banco se reposicionar. "O BRB tem uma base sólida no Distrito Federal e pode se beneficiar da retomada econômica", afirmou outro analista. A expectativa é que o banco apresente um plano detalhado de recuperação até o fim do ano.



