Como reconhecer um verdadeiro queijo Canastra e evitar falsificações
Como reconhecer um verdadeiro queijo Canastra
O queijo produzido na Serra da Canastra, no Sul de Minas Gerais, tornou-se um símbolo da gastronomia mineira e conquistou o paladar de consumidores no Brasil e no exterior. Em 2012, foi um dos primeiros produtos do país a receber o Selo de Origem, uma conquista que protegeu a receita e o nome da região. No entanto, o sucesso também atraiu oportunistas: cresce o número de queijos vendidos como se fossem Canastra, mas que não têm relação com a área de produção reconhecida.

Nem todo queijo artesanal é Canastra

Para entender a diferença, o coordenador técnico regional da Emater, Carlos Eduardo Oliveira Bovo, é direto: "Qualquer queijo produzido fora dessa região da Indicação Geográfica pode ser um queijo Minas artesanal, mas não é um queijo Minas artesanal da região da Canastra". A declaração resume a confusão comum no mercado. Um queijo feito em outra parte de Minas Gerais pode ser excelente, com aroma e textura sofisticados, mas isso não faz dele um Canastra. Usar a denominação Canastra fora dos limites geográficos autorizados é uma prática ilegal. Além de enganar o consumidor, desrespeita a Indicação Geográfica e pode configurar infração ao Código de Defesa do Consumidor.

As marcas de um legítimo Canastra

Existem alguns sinais que ajudam a identificar o produto verdadeiro. O queijo Canastra é feito com leite cru, sem pasteurização, e tem formato cilíndrico. O diâmetro médio varia de 15 a 17 centímetros, com altura entre 4 e 6 centímetros. A casca também dá pistas: pode ser amarelada, resultado das lavagens durante a maturação, ou apresentar uma camada de mofo branco, conhecida como casca florida. Esses detalhes, porém, não bastam. O primeiro passo é conferir a origem.

Nove municípios, uma denominação

Pela Indicação Geográfica, o legítimo queijo Minas artesanal da Canastra só pode ser produzido em nove municípios. São eles:
  • Bambuí
  • Delfinópolis
  • Medeiros
  • Piumhi
  • São João Batista do Glória
  • São Roque de Minas
  • Tapiraí
  • Vargem Bonita
  • Sacramento
A inclusão de São João Batista do Glória na região geográfica ampliou a área oficial, mas também reforçou o controle. Se o queijo não nasceu em uma dessas cidades, não é Canastra.

No rótulo e na casca

Para garantir a autenticidade, o consumidor deve observar o rótulo com atenção. Ele precisa informar o município de produção e o registro em um serviço de inspeção municipal, estadual ou federal, comprovando que a queijaria é regularizada. Outra ferramenta é a etiqueta de caseína, um selo aplicado diretamente na casca. O número nela impresso identifica o produtor e o lote da peça, funcionando como uma espécie de RG do queijo. Esse sistema dificulta falsificações e garante a rastreabilidade desde a fazenda até a mesa.

O que muda com a certificação de origem

Para obter a certificação, os produtores precisaram demonstrar que mantêm as características históricas da receita. Um dos segredos é o pingo, fermento produzido na própria região, que dá mais consistência e sabor ao queijo. Também houve comprometimento com a qualidade e a padronização. Hoje são três formatos de comercialização, sendo que o maior deles pesa, em média, sete quilos. As normas sanitárias, que já eram exigidas por órgãos estaduais, continuam obrigatórias para todas as queijarias.Segundo Bovo, quem se sentir enganado pode buscar seus direitos. "A pessoa que se sentir lesada pode acionar a justiça. A gente vê que queijo da Canastra é um hoje queijo de Araxá, do Sul de Minas da Canastra. Eles usam o nome Canastra, que é um nome muito forte, tradicional para agregar valor, mas estão cometendo um crime porque estão vendendo um produto que não é realmente o produto", afirmou.O consumidor que quiser verificar quais queijarias estão regularizadas pode consultar o site do Consórcio Intermunicipal da Serra da Canastra, Alto São Francisco e Médio Rio Grande (Cicanastra). A consulta pública ajuda a escolher uma peça com garantia de origem e evita o risco de comprar um produto falsificado.Com a combinação de leite cru, pingo, formato tradicional e origem certificada, o queijo Canastra segue como um patrimônio mineiro. Saber reconhecer essas características é a melhor defesa para quem valoriza a autenticidade e não quer cair em enganação.