Santos 0 x 0 Remo: Leão sai vivo da Vila, mas preocupa no ataque
Santos 0x0 Remo: Leão sai vivo, mas ataque preocupa

Santos e Remo empataram em 0 a 0 na Vila Belmiro, em jogo válido pela ida das oitavas de final da Copa do Brasil de 2026. O resultado foi valorizado pelo time paraense, que conseguiu sair ileso de um confronto fora de casa, mas a atuação deixou um gosto amargo. O Leão não conseguiu finalizar uma única vez dentro da área santista, enquanto o Peixe criou chances em abundância.

Os números ajudam a traduzir o que aconteceu no gramado. O Santos finalizou 19 vezes, sendo 14 de dentro da área do Remo. O Leão teve apenas seis conclusões, todas de longa distância. A equipe paraense também sofreu com bolas alçadas na área e viu o adversário acertar o travessão em uma das oportunidades de escanteio.

Peixe comanda as ações, mas esbarra no capricho

Nos primeiros dez minutos, o Santos já mostrava superioridade, com troca de passes rápidos e movimentação constante. Foi quando Jajá, em um contragolpe, arriscou de fora da área e acertou o travessão. O goleiro Brazão ainda tocou na bola antes de ela explodir no metal. Se naquele lance a sorte favoreceu o Leão, o time de Belém não soube aproveitar o respiro.

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Quando o Remo conseguiu equilibrar as ações, por volta dos 20 minutos, a alteração tática veio de uma orientação do técnico Léo Condé, que pediu uma pressão mais alta na saída de bola do Santos. A medida afastou o perigo imediato, mas não gerou volume ofensivo. O time até manteve a posse, porém sem agressividade, sem aproximação e sem conseguir furar as linhas de marcação adversárias.

O Santos repetiu o roteiro no segundo tempo, voltando melhor em campo. Mas o Remo se fechou bem, bloqueou tentativas e evitou sustos maiores. Aos 30 minutos da etapa inicial, aliás, o zagueiro Lucas Veríssimo carimbou a trave, de cabeça, após cobrança de escanteio de Neymar.

Contra-ataques desperdiçados e passes errados

Apesar dos espaços abertos pelo Santos, o Remo não soube aproveitar os contra-ataques. Em uma das principais oportunidades, Zé Ricardo recebeu em condições de acelerar, mas errou na hora de servir Alef Manga, desperdiçando uma chance clara de abrir o placar. O time santista, que havia sofrido gols em nove das últimas dez rodadas do Campeonato Brasileiro, oferecia brechas nas costas da defesa, mas o Leão não tinha capacidade de explorá-las.

Outro sinal de alerta é o total de passes errados. Pelo segundo jogo seguido, a equipe ultrapassou a marca de 90 erros de passe, repetindo o problema visto no duelo contra o Mirassol. Essa imprecisão impediu que o Remo transformasse a posse de bola em chances reais de gol.

Mesmo com a posse de bola, o time paraense não conseguia criar. As únicas finalizações perigosas vieram de chutes de média e longa distância, como o de Yago Pikachu aos 16 minutos, que exigiu defesa de Brazão. A equipe tem usado esse recurso com frequência: dois dos três gols marcados após a pausa para a Copa do Mundo de Clubes saíram de fora da área. O que se viu em campo, no entanto, é que o time não conseguiu desenvolver um jogo coletivo para criar chances dentro da área, o que torna os arremates de longe uma solução de emergência. Sem aproximações e sem movimentação, o Leão fica excessivamente dependente de arrancadas individuais para evitar o nulo no placar.

Zé Welison vira muralha, mas bolas paradas preocupam

Defensivamente, o Remo teve em Zé Welison o principal nome. O volante dominou o meio-campo, venceu quase todos os duelos e neutralizou diversas investidas do Santos, inclusive as que passavam por Neymar. Ele foi o responsável por dar equilíbrio ao time e evitar que o placar fosse aberto.

O desempenho nas bolas paradas, no entanto, segue sendo uma dor de cabeça. Depois de sofrer dois gols de escanteio contra o Mirassol, o Leão voltou a sofrer nos lances aéreos diante do Santos. O Peixe criou três boas chances nesse fundamento, acertou o travessão em uma delas e ainda teve um gol anulado de Gabigol, após a cobrança de Neymar fazer a curva para fora antes de entrar na área.

Decisão no Mangueirão terá outro roteiro?

O empate sem gols deixa a classificação em aberto, e o Remo depende de uma vitória simples na partida de volta, no Mangueirão, para avançar. O resultado fora de casa, em mata-mata, costuma ser considerado positivo, e a equipe paraense valoriza o fato de não ter sofrido gols.

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A grande questão é o que o time apresentará diante da torcida. A produção ofensiva de apenas seis finalizações, nenhuma dentro da área, acende um alerta contra um adversário que concedeu espaços durante grande parte do jogo. Se repetir a atuação da ida, o Leão pode se complicar no duelo que vale a vaga nas quartas de final.

Com a vantagem do empate, o Remo chega vivo para a volta, mas a comissão técnica tem clareza de que será necessário apresentar um futebol mais cadenciado e agudo. O Mangueirão promete ser um caldeirão, e a torcida paraense espera que o time transforme a pressão em gols para assegurar a classificação inédita às quartas de final.