Kayllane Sabrina, agricultora de Boa Vista, transformou a batata-doce cultivada pela própria família em uma linha de chips crocantes, comercializados durante a AgroBV 2026. O produto começou a ser vendido em fevereiro deste ano, e a feira, que ocorre até este domingo (2) no Centro de Difusão Tecnológica (CDT), na região do Bom Intento, zona rural da capital roraimense, se tornou a vitrine para a nova fonte de renda. A iniciativa foi um dos destaques do programa Amazônia Agro, exibido neste domingo.
Batata-doce com valor agregado
Rica em carboidratos e fibras, a batata-doce é um tubérculo que ajuda no fornecimento de energia ao organismo. Em 2025, a produção da raiz quase dobrou no Brasil, impulsionada pelo aumento do consumo. Foi nesse cenário que Kayllane decidiu criar uma renda própria, aproveitando a colheita da propriedade da família.
Formada na área de alimentos, ela usou o conhecimento técnico para desenvolver o produto. Segundo a agricultora, o início foi desafiador porque muita gente ainda não conhecia os chips de batata-doce. "Minha avó já tinha a máquina, e usava [as batatas] mais para as feiras. Foi quando tive a ideia de fazer algo pra ter minha própria renda", contou.
Foram necessários planejamento e testes até chegar ao resultado atual, com fatias finas e textura crocante. A produção ampliou as opções de venda da família e agregou valor à batata-doce que antes era comercializada in natura. "É uma alegria poder mostrar meu trabalho. Vê que as pessoas gostam do meu produto é gratificante", afirmou.
Derivados de abacaxi também marcam presença
Kayllane não é a única agricultora familiar a levar produtos processados para a AgroBV. Danielle Lira aproveita o abacaxi produzido pela família para fabricar bolo, suco, caipirinha e mousse. No estande da família, os visitantes encontram tanto a fruta in natura quanto os derivados. "No nosso estande vão poder encontrar os abacaxis e também derivados. Bolo, suco, temos também a caipirinha e mousse. E com muito esforço conseguimos trazer produtos de qualidade", disse Danielle.
Para ela, a resposta do público é o principal indicador de que o trabalho está no caminho certo. "É satisfatório. A gente vê o consumidor final dando a resposta para a gente, mostrando que está gostando do produto. Isso significa que o nosso trabalho está dando resultado", ressaltou.
Clima e pragas: os desafios dos produtores
Apesar dos resultados, os agricultores enfrentam obstáculos para manter a produção. A falta de chuva, o excesso de água no início do ano e as pragas afetaram o cultivo, mas as famílias conseguiram se organizar para participar da feira. Segundo Ana Carla, presidente da Associação dos Produtores Rurais do PA Nova Amazônia I (ASSTRF PANA), a programação é planejada ao longo de todo o ano.
"Durante todo o ano a gente acaba se programando para essa data. Apesar do empecilho este ano, que foi a falta de chuva e também o excesso no começo do ano, além das pragas, conseguimos produzir e trazer os produtos até o evento", explicou.
AgroBV 2026: expectativa de 80 mil visitantes
A AgroBV 2026 segue até este domingo no CDT, no Bom Intento, com expectativa de receber cerca de 80 mil visitantes e movimentar R$ 100 milhões em negócios. A feira funciona diariamente das 8h30 às 18h30 e atrai o público com atrações como o tradicional campo de girassóis, a fazendinha com pôneis, minivacas, cabras e ovelhas, além da praça de alimentação com restaurantes e música ao vivo.
Os visitantes também podem percorrer áreas demonstrativas com cultivos de milho, soja e capim, e conferir uma exposição com tratores, caminhões, caminhonetes, drones, painéis solares, implementos agrícolas e outras tecnologias para o trabalho no campo. A comercialização de produtos da agricultura familiar, como os chips de Kayllane e os derivados de abacaxi de Danielle, reforça o papel do evento como vitrine para o agronegócio roraimense.



