Sobrevivente relata desabamento de ponte no Acre; quatro ficam feridos
Sobrevivente relata desabamento de ponte no Acre

Weverton Murieta, um dos quatro feridos no desabamento de parte da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, na noite de sexta-feira (5), relatou os momentos de desespero. Ele e os outros três feridos estavam sobre a ponte quando a estrutura cedeu.

O relato do sobrevivente

Murieta trabalhava com Antônio Morais Filho descarregando um caminhão de mercadorias e voltavam para casa quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei Muniz. Conforme o trabalhador, Edinaldo pediu que mostrassem a rachadura na ponte. Eles decidiram acompanhar o ex-magistrado.

“Eu disse: ‘Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor’. Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para ir com ele. Aí quando eu passei na frente para mostrar para ele, eu cheguei pertinho dele para mostrar, a ponte desabou”, contou.

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Murieta lembrou que caiu no fundo do rio e se agarrou à própria estrutura para não afundar. “Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte. Subi em cima da ponte de novo, que estava arriada”, disse.

Estado de saúde dos feridos

Antônio Morais Filho, de 36 anos, foi um dos feridos em estado gravíssimo, com traumatismo. Ele foi transferido para Rio Branco, assim como Edinaldo Muniz. Até a manhã de sábado (6), não havia atualização sobre o estado de saúde. Murieta contou que viu o amigo ferido e gritou por socorro. “Eu corri em cima da ponte procurando o meu amigo, vi ele deitado, tinha uns ferros nele. Vi que ele estava respirando e comecei a gritar ‘socorro, socorro’”, acrescentou.

O desastre

A Ponte Frei Paolino Baldassari, localizada no 2º distrito de Sena Madureira, liga distritos ao Centro da cidade. Quatro pessoas deram entrada no Hospital João Câncio Fernandes: Edinaldo Muniz (juiz aposentado), Edinei Muniz (51 anos, irmão do juiz), Antônio Morais Lima Filho (36) e Weverton Murieta (34). O juiz fazia uma live em uma rede social no momento do desabamento. Ele, o irmão e Antônio Morais foram transferidos para Rio Branco de ambulância.

Mortes ou desaparecidos?

Até o momento, não há confirmação de mortes ou desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Saúde do Acre.

Estrutura comprometida

De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 60% da ponte foi comprometida. Câmeras de segurança registraram o acidente. Moradores do Centro de Sena Madureira ouviram um estrondo como um tremor de terra. A ponte tem 232 metros de extensão, duas pistas e calçadas para pedestres. A obra custou mais de R$ 36 milhões e foi inaugurada há cerca de 2 anos e meio.

Problemas anteriores

A ponte foi interditada um dia antes, na quinta-feira (4), após risco de desabamento identificado por uma rachadura. Equipes do Corpo de Bombeiros, Samu e polícias estiveram no local. Ambulâncias de Manoel Urbano e Bujari deram apoio. A causa do desabamento ainda não foi oficialmente concluída. Uma hipótese envolve o fenômeno das “terras caídas”, comum na Amazônia, que causa erosão e colapso das margens dos rios.

Frei Paolino, homenageado no nome da ponte, foi um religioso importante na região, atuando no Acre desde 1954. Em sua homenagem, o dia 8 de abril é feriado municipal em Sena Madureira.

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