Jogadora agride adversárias no futsal feminino do Eusébio e é banida por 5 anos
Jogadora agride adversárias e é banida por 5 anos no CE

Uma cena de violência chocante marcou a abertura do Campeonato Municipal de Futsal Feminino do Eusébio, no Ceará. No segundo tempo da partida entre RDJ Sport e RSN (As Resenhas), uma jogadora da equipe visitante agrediu adversárias com chutes na cabeça e socos, resultando em sua exclusão das competições por cinco anos e na eliminação de sua equipe do torneio.

O relato do árbitro: "Primeira vez que vi algo assim"

O árbitro Renato Silvio, com sete anos de carreira, afirmou em entrevista exclusiva ao Globo Esporte que jamais presenciou algo semelhante. "O jogo em si estava calmo, teve a provocação quando elas (RDJ Sport) conseguiram fazer o gol. Na hora do gol elas foram lá, fizeram um gesto e eu fui e chamei atenção da atleta e pedi para ela não fazer mais aquilo e caso se repetisse, ela seria punida com o cartão, e ali acalmou. Fomos, terminamos o primeiro tempo super bem, e iniciamos o segundo tempo com um jogo normal, lá e cá, duas faltas só, uma para cada equipe, só que infelizmente, nem tudo está no nosso controle", revelou.

Renato explicou sua posição no momento da agressão: "Eu estava aqui (aponta para a lateral da quadra). O lance foi no meio da quadra. Quando ela dá o carrinho, eu marco a falta e o meu companheiro já veio correndo para separar, caso houvesse algum tipo de briga". Para ele, o episódio foge da rotina: "No futebol feminino foi a primeira vez que eu vi algo assim. Impressionante, mais do que no masculino. Porque no masculino a gente vê brigas generalizadas, mas as organizações separam e a vida segue. Mas do jeito que aconteceu naquele dia, não".

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Detalhes da agressão e socorro imediato

O secretário de Esportes do Eusébio, Michel Choquito, detalhou o ocorrido: "O jogo estava normal, transcorrendo tudo bem, somente duas faltas cometidas no segundo tempo e, por volta do minuto 11, a jogadora vem no lance, perde a bola e, quando isso acontece, a adversária vai para o ataque. Ela vem, dá o carrinho, faz a falta e, em seguida, chuta a cabeça da jogadora". A vítima, identificada como Júlia, foi atingida por dois chutes na cabeça enquanto estava caída após um carrinho da camisa 10 do RSN.

Uma segunda atleta do RDJ Sport, conhecida como "BK", tentou conter a agressora e também foi agredida com socos no rosto. A confusão só foi controlada com a intervenção das comissões técnicas. O secretário destacou a estrutura de atendimento: "Nós tínhamos uma equipe de, pelo menos, sete pessoas da coordenação de esportes, além dos socorristas, aqui no ginásio, que deram os primeiros atendimentos à atleta e a levaram para a UPA. Houve uma pequena invasão, que culminou em algumas punições, mas o aparato que a secretaria tinha resolveu prontamente o conflito".

Punições e investigação policial

No dia seguinte, a comissão julgadora se reuniu com as duas equipes. "Nós recebemos as duas equipes, fizemos o julgamento por parte da comissão julgadora, no qual foi expedido um parecer em que foram colocadas todas as punições: da atleta, das outras envolvidas das duas equipes, como também da equipe que invadiu a quadra", afirmou Choquito. A jogadora agressora foi banida por cinco anos de qualquer atividade esportiva organizada pela Liga Desportiva de Futsal, e sua equipe, o RSN, foi excluída do campeonato.

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou que a 3ª Seccional da Região Metropolitana e o Núcleo de Inteligência investigam o caso. Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado, e a vítima foi encaminhada a uma unidade de saúde, onde recebeu atendimento médico. As investigações seguem em andamento.

Repercussão e notas oficiais

A presidente do RDJ Sport, Radija Nascimento, publicou nota nas redes sociais informando que Júlia e "BK" receberam alta e se recuperam em casa. "É uma situação muito lamentável e que jamais gostaríamos de presenciar dentro de uma quadra esportiva. O Projeto RDJ Sport continuará adotando todas as medidas cabíveis para que fatos como esse não se repitam e para que nossas atletas tenham a segurança e o respeito que merecem", disse.

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O Ministério Público do Ceará repudiou as agressões e acompanha as investigações. "O GNCOVE reafirma seu compromisso com o enfrentamento de toda forma de violência no esporte e permanecerá acompanhando o caso, cobrando a rigorosa apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos", informou em nota.

A Prefeitura do Eusébio também se manifestou: "Não compactuamos com atos de violência e atitudes antidesportivas. Acreditamos que o esporte é uma ferramenta transformadora da sociedade. A Liga Desportiva de Futsal, em análise da súmula da partida, excluiu a atleta agressora pelos próximos cinco anos de qualquer atividade esportiva organizada pela instituição. Além disso, foi garantido o pronto atendimento e acompanhamento médico para a atleta agredida".

Antes da partida, as equipes haviam sido orientadas sobre respeito e fair play. "Na prévia, antes do jogo, a gente falou com as atletas: 'Vamos jogar bola, vamos respeitar as adversárias. Querem jogar duro, mas joguem na bola'. Foi isso que nós pedimos para elas", revelou o árbitro Renato Silvio. O episódio, no entanto, deixou um alerta sobre a necessidade de combater a violência no esporte amador.