Três presos que estavam entre os 11 fugitivos da Penitenciária Estadual Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na Grande Natal, foram recapturados entre a noite de sexta-feira (31) e a madrugada deste sábado (1º). A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) confirmou que Isaac Deodato Rodrigues, Tiago da Silva Maia Braga e Diogo da Luz Silva voltaram ao sistema prisional. Com isso, sete foragidos seguem sendo procurados.
Na tarde de sexta-feira, Julianderson Francisco Nogueira já havia sido localizado, elevando o total de recapturas para quatro. A fuga foi descoberta após o sistema interno de monitoramento alertar os policiais penais de plantão, que flagraram os detentos pulando o muro da unidade.
Diogo foi baleado após resistir a abordagem
Diogo da Luz Silva foi encontrado em uma área de mata em Nísia Floresta durante um cerco da Polícia Militar. De acordo com a Seap, ele resistiu à prisão, foi baleado pelos policiais, recebeu atendimento no local e foi encaminhado ao Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim. O estado de saúde dele é estável.
Já Isaac Deodato Rodrigues e Tiago da Silva Maia Braga foram localizados durante a madrugada deste sábado, em pontos diferentes da zona rural de Nísia Floresta. As buscas pelos demais foragidos continuam com equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Guarda Municipal de Parnamirim e Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Sete foragidos ainda não foram encontrados
Com as recapturas, seguem foragidos:
- Cleidson Martins Dantas;
- Kaio do Nascimento Gomes;
- Tiago Nogueira da Silva;
- Petrúcio Railande dos Santos;
- Jackson Matheus Martins Simões;
- Jonatas Ferreira Isis Dorea da Silva;
- Eliandson Luciano de Lima.
Segundo a Seap, todos os fugitivos estavam na mesma cela. Apenas um detento permaneceu no local, enquanto os outros 13 deixaram a cela. Desses, 11 conseguiram pular o muro da penitenciária; dois foram encontrados ainda na área externa do presídio e recapturados no momento da fuga.
Fuga foi percebida pelas câmeras de vigilância
Em nota, a Seap afirmou que "a ação foi percebida pelos policiais penais de plantão responsáveis pelo monitoramento das câmeras de vigilância da unidade". A pasta também informou que "as Forças de Segurança realizam diligências ininterruptas para localizar e recapturar os foragidos. As circunstâncias da ocorrência serão apuradas por meio de procedimento administrativo".
O secretário de Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, detalhou que os presos arrancaram o vaso sanitário da cela e cavaram um buraco para escapar. "Eles tiraram o vaso sanitário, que é uma estrutura que a gente tem lá de alumínio e concreto. Eles arrancaram o vaso, obviamente tem um buraco no vaso, por onde saem os dejetos, cavaram, fizeram uma espécie de túnel para empreender fuga", explicou.
Investigação apura possível negligência ou facilitação
Uma grande quantidade de areia foi encontrada pelos policiais penais na cela, inclusive embaixo dos colchões. O secretário afirmou que o túnel não foi cavado em apenas um dia e que a pasta vai investigar o que possibilitou a fuga, incluindo a possibilidade de negligência ou facilitação. "O que é que a gente já pode perceber é que não foi um trabalho que foi feito do dia para a noite. Isso provavelmente já vinha sendo feito há alguns dias lá. Então é isso que a gente tem que apurar, quais foram as circunstâncias dessa fuga", completou.
Histórico de fugas e o Massacre de Alcaçuz
A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga era conhecida antigamente como Pavilhão 5 de Alcaçuz, por ficar ao lado do maior presídio do Rio Grande do Norte. Em 2017, o complexo foi palco de uma rebelião que deixou ao menos 26 mortos — quase todos decapitados — e 56 fugitivos, episódio conhecido como Massacre de Alcaçuz.
Na unidade Rogério Coutinho Madruga, a fuga mais recente até agora havia sido em 2024, quando dois internos que eram "qualificados para serviços", como são chamados os presos de confiança, fugiram em plena luz do dia enquanto trabalhavam em uma obra. A dupla acabou recapturada.
Já a Penitenciária de Alcaçuz, vizinha à unidade, registrou uma fuga de cinco presos em maio deste ano, após quase cinco anos sem registro. Quatro deles foram recapturados.



