A esposa do tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, baleado na cabeça enquanto estava parado em um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, afirmou nesta terça-feira (30) nas redes sociais que a família segue esperançosa com as pequenas melhoras do quadro de Pimentel. O caso ocorreu no último sábado (27) e mobiliza as forças de segurança de São Paulo, que tratam o ocorrido como um atentado.
Estado de saúde e mensagem da esposa
Pimentel segue internado na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, em estado grave, mas com quadro clínico estável e sem alterações. Ele passou por uma cirurgia neurológica de emergência logo após ser baleado. "Minha prioridade, agora, é estar ao lado do Ronickson e da minha família. Seguimos esperançosos com as pequenas melhoras do seu quadro, celebrando cada passo da recuperação e confiando que Deus continuará conduzindo esse processo", escreveu Cintia Pimentel na postagem.
Ainda conforme a esposa, por questões de segurança e para preservar a família, todas as fotos foram arquivadas e o perfil foi temporariamente restringido. "Espero que, em breve, eu possa voltar aos poucos, reativar meu perfil e conversar com todos vocês. Até lá, peço que continuem orando por nós. Muito obrigada por todo o respeito, orações e compreensão".
Investigação e prisões
Até esta terça-feira (30), dois homens suspeitos de dar apoio logístico ao crime tinham sido presos temporariamente. Eles foram localizados pela Polícia Militar em Guaianases, na Zona Leste da capital, e levados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Na segunda-feira (29), os dois passaram por audiência de custódia e permaneceram detidos. Um dos detidos confessou participação no crime, segundo a Polícia Militar. Os autores dos disparos ainda são procurados.
As imagens do sistema Smart Sampa ajudaram a polícia a reconstruir a rota de fuga dos envolvidos. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a Divisão de Inteligência da Guarda Civil Metropolitana compartilhou as análises com as polícias Civil e Militar. As câmeras permitiram acompanhar o deslocamento dos criminosos até a comunidade de Heliópolis, na Zona Sul da capital, onde a motocicleta usada no crime foi abandonada. Depois disso, os suspeitos teriam fugido a pé.
Dinâmica do crime
Uma câmera de segurança registrou o momento em que Ronickson foi ferido. Nas imagens, é possível ver que o policial estava à paisana em uma motocicleta e parou no semáforo. Segundos depois, dois homens se aproximaram e efetuaram os disparos. Em seguida, a dupla fugiu. Outra câmera de segurança também registrou os suspeitos momentos antes da abordagem. Nas imagens, é possível ver que eles seguem o tenente após ele sair de uma academia, indicando que houve monitoramento prévio da vítima.
O governador Tarcísio de Freitas afirmou acreditar que o atentado foi uma tentativa de execução. Segundo ele, os criminosos seguiram o policial, se aproximaram sem anunciar assalto e atiraram à queima-roupa, sem dar chance de reação. As autoridades destacam que nada foi levado da vítima. "Como foi comentado pelo governador, é uma indignação, a polícia já se posicionou desde o primeiro momento indignada com esse tipo de atitude. Não é uma mera agressão a um policial, é uma agressão ao estado. Toda a instituição está ao lado dele para melhorar e acompanhando estamos inclusive lá no hospital fazendo acompanhamento com a família", afirmou Ivan Garcia, chefe de comunicação da Polícia Militar.
Perfil do tenente
Ronickson Pimentel dos Santos tem 39 anos e é tenente da Polícia Militar de São Paulo. Ele ingressou na corporação em 2009 como soldado, após atuar como fuzileiro naval na Marinha do Brasil entre 2006 e 2009. Em 2015, passou a integrar o quadro de oficiais da PM por meio da Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Ao longo da carreira, acumulou sete anos de experiência em patrulhamento de Força Tática e, em 2019, passou a atuar no 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar, a Rota. Ronickson também é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, adolescente de 15 anos assassinada em 2008 após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em Santo André. O caso teve grande repercussão nacional.
Perguntas ainda sem resposta
A investigação ainda tenta esclarecer pontos centrais do caso: quem são os autores dos disparos; qual foi a motivação do atentado; quem planejou a ação; se houve participação de integrantes do crime organizado; e quantas pessoas, ao todo, participaram da execução. A Secretaria da Segurança Pública afirma que as investigações seguem em andamento. A Polícia Militar informou que continuará as diligências até a identificação e prisão de todos os envolvidos.



