As chamadas Magnificent 7 — grupo composto por Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla — perderam cerca de US$ 2,3 trilhões em valor de mercado ao longo de junho, de acordo com o índice CNBC que acompanha essas companhias. O indicador registrou queda de 10% no acumulado do mês, interrompendo um rali prolongado que vinha impulsionando o setor.
Quedas expressivas entre as gigantes
A Microsoft foi a que mais sofreu, com desvalorização de 20% em junho. A Nvidia recuou aproximadamente 13%, enquanto Apple e Amazon registraram quedas de cerca de 8%. O movimento ocorre após um período de forte alta, alimentado pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial.
No início de junho, o Bank of America já havia alertado que a correção das ações de tecnologia poderia ameaçar o rali. Segundo analistas do banco, o gatilho foi o relatório de emprego dos Estados Unidos, que veio acima das expectativas. Com isso, as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve diminuíram, reforçando o cenário de taxas elevadas por mais tempo.
Investimentos bilionários em IA
Em abril, as big techs anunciaram planos de gastar até US$ 725 bilhões este ano com despesas de capital, principalmente em equipamentos de data center voltados para inteligência artificial. A Alphabet e a Meta elevaram suas projeções de gastos para o ano todo, enquanto a Microsoft divulgou sua primeira estimativa até dezembro, igualando a Alphabet em US$ 190 bilhões.
De acordo com a Bloomberg, a Amazon foi a única entre as quatro grandes desenvolvedoras de data centers a manter seus números em US$ 200 bilhões. A empresa, no entanto, já havia relatado aumento nos gastos no trimestre de março, o que reduziu seu fluxo de caixa livre.
Cautela recomendada pelos analistas
O relatório do Bank of America sugeria maior cautela com Meta, Tesla, Palantir e Netflix, sendo esta última considerada o caso mais frágil do grupo, com padrão técnico claramente baixista. Entre as empresas mais relevantes, Broadcom e Microsoft registraram alguns dos sinais técnicos negativos mais expressivos na última semana de maio.
O banco ressaltou que não vê necessariamente o fim do ciclo de alta das big techs, mas acredita que o mercado entrou em uma fase mais complexa, marcada por avaliações elevadas, juros pressionados e maior sensibilidade aos indicadores econômicos. A recomendação, desde então, é de maior disciplina na gestão de risco, uma vez que a volatilidade tende a permanecer acima dos níveis observados durante a maior parte do rali recente.
Semicondutores em alta contrastam com correção
Apesar da correção das Magnificent 7, o índice de semicondutores da Bolsa de Valores da Filadélfia disparou 82% no segundo trimestre, encaminhando-se para seu melhor trimestre da história. O índice acumula alta de 94% em 2026, o que, se confirmado, representaria seu melhor ano desde o boom da internet em 1999.
Em contraste, o Nasdaq 100 subiu 26% no segundo trimestre, enquanto o S&P 500 avançou 14%. A volatilidade é comum no setor, com ciclos regulares de expansão e retração. A última alta foi impulsionada por forte demanda por inteligência artificial, mas analistas seguem preocupados com a sustentabilidade dessa demanda.



