O Ibovespa encerrou junho com queda de 1,01%, marcando o quarto mês consecutivo de resultado negativo. O desempenho foi influenciado pela saída de investidores estrangeiros das ações brasileiras. No segundo trimestre, a perda acumulada foi de 8,24%, o que reduziu o ganho no primeiro semestre de 2026 para 6,76%.
Maiores altas do primeiro semestre
Usiminas (USIM5) foi o grande destaque positivo, com valorização de 41,30% no semestre. As ações chegaram a subir mais de 60% no acumulado do ano, mas perderam força nos últimos meses. O Goldman Sachs elevou a recomendação para compra no fim do mês, apostando em melhora do setor de aço no Brasil. O Itaú BBA elevou o preço-alvo de R$ 9 para R$ 11, mantendo compra. Já o Bradesco BBI manteve recomendação neutra, vendo relação risco-retorno menos atrativa.
Copasa (CSMG3) avançou 39,47% após a privatização concluída em 11 de junho, com o follow-on precificado em R$ 49,03 por ação. O Bradesco BBI elevou a recomendação para compra, com preço-alvo de R$ 73, destacando o potencial de crescimento do lucro por ação e dividendos.
Eneva (ENEV3) subiu 33,47%, impulsionada pelo leilão de reserva de capacidade em março, onde contratou 5,0 GW de capacidade. A empresa estima investimentos totais de R$ 18,2 bilhões entre 2026 e 2031.
Petrobras (PETR3) teve alta de 32,30%, beneficiada pelo salto do petróleo com a guerra entre os países. A XP manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 63. O JPMorgan reiterou visão positiva, vendo a recente fraqueza como oportunidade.
Copel (CPLE3) valorizou-se 27,94%, também com efeito do leilão de capacidade. O JPMorgan tem recomendação overweight, destacando o perfil de risco controlado e dividendos acima de 5% entre 2026 e 2029.
Maiores baixas do primeiro semestre
CSN (CSNA3) foi a maior baixa, com queda de 46,90%, pressionada pela alta alavancagem. A empresa busca vender ativos para reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 3,4 vezes para cerca de 2 vezes. A Genial Investimentos vê a alienação como passo importante na desalavancagem.
Magazine Luiza (MGLU3) caiu 46,51%, afetado pelo prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões no primeiro trimestre, revertendo lucro do ano anterior. Juros elevados e concorrência no e-commerce pressionaram os resultados. O Citi elevou a recomendação para neutra, vendo espaço para recuperação.
MRV (MRVE3) desvalorizou 31,61%, com o setor de construção civil impactado por custos elevados e incertezas sobre o FGTS. O UBS-BB rebaixou a recomendação para neutra, com preço-alvo de R$ 7, citando deterioração macroeconômica.
Minerva (BEEF3) caiu 30,39%, com especulações sobre possível OPA para fechamento de capital. A Genial Investimentos vê a tese como plausível, mas o custo de financiamento é um entrave. A possibilidade de tarifas chinesas sobre carne bovina também pressionou o papel.
Cogna (COGN3) recuou 29,91%, após alta de mais de 200% em 2025. O balanço do primeiro trimestre ficou aquém das expectativas, com queda de 14% na captação de alunos. O BTG Pactual aponta volumes mais fracos no EAD, mas melhora no mix de alunos.
Desempenho geral do semestre
No acumulado do ano, onze ações do Ibovespa tiveram ganhos acima de 20%, sendo que quatro subiram mais de 30%. Por outro lado, treze ações caíram mais de 20%. Entre as altas, destacam-se ainda PRIO3 (+24,88%), UGPA3 (+24,27%) e CXSE3 (+24,04%). Entre as baixas, além das citadas, HAPV3 (-29,88%), AZZA3 (-29,58%) e CSAN3 (-29,52%) também figuram entre as piores performances.



