Médicos anunciaram dois novos casos de possível cura do HIV após transplantes de células-tronco de doadores portadores da mutação rara CCR5-delta32. Essa mutação bloqueia a entrada do vírus nas células, impedindo a replicação do HIV-1 nas formas mais comuns da doença. Os pacientes, que não tiveram suas identidades reveladas, estão há 14 e 12 meses sem tomar medicamentos antirretrovirais e apresentam carga viral indetectável.
Detalhes dos novos casos
Um dos pacientes, conhecido como 'paciente de Genebra', recebeu o transplante há cerca de 18 meses e já está há 14 meses sem antirretrovirais, com HIV indetectável. O segundo caso, tratado em um hospital nos Estados Unidos, está há 12 meses sem medicação e também apresenta carga viral indetectável. Ambos os transplantes foram realizados para tratar cânceres do sangue, como leucemia ou linfoma, e não especificamente para curar o HIV.
A mutação CCR5-delta32 é encontrada em aproximadamente 1% da população mundial, mas é mais comum em pessoas de ascendência europeia. Ela impede que o HIV-1 use o receptor CCR5 como porta de entrada nas células T, um dos principais alvos do vírus. Os doadores foram selecionados por serem homozigotos para essa mutação, ou seja, herdaram duas cópias do gene alterado.
Contexto histórico das curas
Esses dois novos casos elevam para 13 o total de curas ou remissões de longo prazo do HIV reconhecidas pela Sociedade Internacional de Aids (IAS, na sigla em inglês). O primeiro caso documentado foi o do 'paciente de Berlim', Timothy Ray Brown, curado em 2008. Depois, vieram o 'paciente de Londres' (Adam Castillejo) em 2019, o 'paciente de Düsseldorf' em 2023 e o 'paciente de Nova York' (uma mulher mista) em 2024. Todos receberam transplantes de células-tronco de doadores com a mutação CCR5-delta32.
Impacto e limitações do tratamento
Embora os resultados sejam promissores, os especialistas alertam que o transplante de células-tronco é um procedimento de alto risco, com taxas de mortalidade significativas, e não é uma opção viável para a maioria dos 39 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo. O tratamento é geralmente reservado para pacientes com cânceres hematológicos que não respondem a outras terapias.
Segundo a IAS, esses casos de cura contribuem para a compreensão dos mecanismos de erradicação do HIV, mas a busca por uma cura acessível e segura continua. Pesquisas com edição genética, como o CRISPR, buscam replicar o efeito da mutação CCR5-delta32 sem a necessidade de transplante.
Próximos passos da pesquisa
Os médicos responsáveis pelos novos casos pretendem publicar os dados completos em revistas científicas nos próximos meses. A IAS planeja incluir esses pacientes em seu registro global de curas do HIV, que monitora a duração da remissão e possíveis sinais de recidiva. Até o momento, nenhum dos 13 pacientes considerados curados ou em remissão apresentou retorno do vírus.



