Viagogo é obrigada a avisar sobre preços variáveis na revenda de ingressos
Viagogo obrigada a informar sobre variação de preços

A Viagogo, uma das maiores plataformas globais de revenda de ingressos, foi obrigada pela Justiça a comunicar aos consumidores que os preços dos bilhetes vendidos em seu site podem ser superiores ou inferiores ao valor nominal do evento. A determinação, divulgada recentemente, tem como objetivo garantir transparência nas relações de consumo e evitar que compradores sejam surpreendidos por variações de preço que nem sempre são claras no momento da compra.

O que muda para o consumidor

Com a decisão, a Viagogo deve exibir um aviso claro e visível em todas as páginas de venda, alertando os usuários sobre a possibilidade de os preços divergirem do valor de face. A informação também precisa ser reforçada na finalização da compra e nos e-mails de confirmação. Assim, o consumidor terá ciência de que a plataforma não vende ingressos pelo preço original, mas atua como intermediária em um mercado secundário.

Essa exigência é um avanço na proteção ao consumidor, pois muitos compradores acreditam que estão pagando o valor oficial do ingresso, quando, na realidade, o preço é definido por terceiros. A prática de revenda é legal, mas a falta de informação clara pode levar a prejuízos, especialmente quando o valor cobrado é muito acima do preço de face.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Como funciona a revenda na Viagogo

A Viagogo é uma plataforma onde vendedores independentes anunciam ingressos para shows, festivais e eventos esportivos. Os preços são livremente estipulados pelos vendedores e podem variar conforme a demanda, a proximidade do evento e a localização dos assentos. Por isso, é comum que os valores sejam mais altos que o nominal, mas também há casos em que os bilhetes são vendidos abaixo do preço original, especialmente quando a procura é baixa.

No Brasil, a revenda de ingressos é permitida, desde que não haja fraude ou falsificação. A plataforma, no entanto, não é a organizadora do evento e não tem controle sobre os preços praticados. Essa característica, se não for bem comunicada, pode gerar conflitos e reclamações frequentes nos órgãos de defesa do consumidor.

Impacto no mercado e na regulação

A decisão chega em um momento em que o mercado de revenda de ingressos cresce no país, impulsionado por grandes eventos. Especialistas apontam que a medida pode reduzir o número de processos judiciais e aumentar a confiança dos consumidores na plataforma. Além disso, a transparência é um princípio fundamental do Código de Defesa do Consumidor, que exige informação prévia e adequada sobre produtos e serviços.

Ainda não há detalhes sobre eventuais multas ou prazos para o cumprimento da determinação. Procurada, a Viagogo não comentou o assunto até o momento desta publicação. A informação foi divulgada pelo blog Ancelmo Góis, do jornal O Globo, que não trouxe mais detalhes sobre o órgão responsável pela ação.

A expectativa é que outras plataformas de revenda sejam alvo de exigências semelhantes, estabelecendo um precedente importante. Para o consumidor, a principal recomendação é verificar o valor nominal no site oficial do evento antes de comprar e comparar os preços com atenção. Dessa forma, é possível evitar pagamentos abusivos e identificar boas oportunidades de compra.

Com a nova regra, a Viagogo terá de adaptar seus sistemas e processos para incluir os avisos solicitados. A medida reforça a necessidade de as empresas atuarem com responsabilidade, informando claramente sobre a natureza do serviço prestado e os riscos da transação. A proteção ao consumidor, nesse caso, anda lado a lado com a transparência nos negócios.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar