O prefeito de Dumont (SP), Rogerson Ruiz, o Tê (PP), descreveu como “cenário de guerra” a devastação causada pelo vendaval que atingiu a região de Ribeirão Preto na última sexta-feira (24). Em entrevista ao g1, ele informou que ao menos 80 residências foram contabilizadas com danos até esta segunda-feira (27), número que ainda deve crescer com novos atendimentos. A cidade, com 9.471 habitantes segundo o Censo do IBGE, fica a 21 km de Ribeirão Preto e foi uma das mais afetadas pela tempestade.
Prefeito relata “cenário de guerra” e ventos de até 160 km/h
“Foi um cenário de guerra. A gente nunca imagina que passaria por uma situação dessa. A gente acredita que vê isso só em televisão, em cidades distantes”, afirmou o prefeito. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que visitou a região, confirmou ventos de até 160 km/h. Além de Dumont, os municípios de Guariba, Pradópolis, Taquaritinga, Barrinha e Ribeirão Preto também sofreram com o temporal. Apesar da destruição, não houve mortes ou feridos graves em Dumont. “Esse é o copo meio cheio da nossa situação. A gente agradece todos os dias por ter passado por uma situação dessa e não ter vítima”, disse Ruiz.
Famílias acolhidas por parentes ou abrigo municipal
Segundo o prefeito, a maioria das famílias desalojadas foi acolhida por parentes. “Dumont é uma cidade em que o pessoal é muito família. Eu costumo brincar que quem não é parente, é compadre”, comentou. A Prefeitura montou um abrigo no Centro do Idoso para quem precisou deixar as casas, embora não haja número exato de abrigados, pois muitos se mudaram para casas de parentes depois. Doações de roupas, cobertores e alimentos chegaram de municípios vizinhos. A maior demanda nesta segunda-feira era por cestas básicas, produtos de higiene, itens de limpeza, colchões, camas e móveis.
Água e energia parcialmente restabelecidas
O abastecimento de água foi normalizado, com poços artesianos recuperados após problemas pontuais. A energia elétrica voltou em grande parte: segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), das 4.542 unidades consumidoras, apenas 89 seguiam sem luz até a noite de segunda. A falta persiste no distrito industrial, em sítios, na zona rural e em outros pontos. “Fios ficaram jogados para todo lado. Teve barracão que caiu em cima de rede”, relatou o prefeito.
Escolas e prédios públicos com destelhamentos e vidros quebrados
Repartições públicas não sofreram danos estruturais graves, mas houve destelhamentos, calhas quebradas e vidros estilhaçados. Nas escolas, a Prefeitura avaliava as condições para retomada das aulas. Algumas unidades tiveram telhados danificados e acúmulo de sujeira devido à chuva e falta de água. A gestão trabalhava com a possibilidade de retorno na terça-feira (28), mas a decisão ainda não era oficial; caso não fosse possível, a previsão era quarta-feira (29). A prioridade, segundo Ruiz, é garantir segurança mínima para os alunos.
Indústria e agricultura também sofreram perdas
O vendaval afetou o setor produtivo local. Uma fábrica de sofás teve o barracão destruído, máquinas molhadas e produtos prontos danificados. Produtores rurais perderam barracões, estoques e parte da produção de amendoim. A falta de energia no distrito industrial agravou a situação de empresas e produtores que tentavam retomar as atividades.
Estado de emergência decretado e reconhecido
Dumont decretou estado de emergência, já reconhecido pelas esferas estadual e federal. A Prefeitura está levantando fotos, documentos e relatórios para buscar apoio e recursos à reconstrução. Ainda não há estimativa do prejuízo total. “No momento, não tem cálculo exato. É tudo muito novo. Primeiro, fomos socorrer quem precisava, limpar ruas e restabelecer o funcionamento mínimo da cidade”, afirmou o prefeito.
Solidariedade regional mobiliza equipes e doações
Equipes de prefeituras e empresas vizinhas ajudaram na limpeza e remoção de árvores e galhos. Um gabinete de emergência foi instalado para coordenar as ações. “Hoje, o nosso Cras ficou muito pequeno para as doações que estamos recebendo. Veio ajuda de Pradópolis, Sertãozinho, de toda a região e até de uma cidade de Minas Gerais”, disse Ruiz.



